Meu garoto

A opção do ministro Antonio Palocci de limitar suas explicações sobre a exponencial evolução do seu patrimônio às emissoras das Organizações Globo mostra que consultorias não são a única mistura que Palocci faz entre público e privado. Ao confundir as boas relações com a cúpula da Globo com a necessidade de explicações ao público e com jornalismo, o ministro fica, ainda, mais próximo de ser ex-ministro.

Datado
A escolha de Palloci pela exclusiva à Globo, além de deixar numa saia justa o discurso do governo Dilma pela democratização da comunicação, revela que o ministro parece,ainda, não ter se dado conta da crescente perda da hegemonia global. Afinal, já faz tempo que o slogan “Não deu na Globo, não existe” deixou de ser um dogma, para pertencer aos anos dourados do monopólio da mídia tupiniquim.

Ilusão verde
O anúncio, feito pelo governo alemão, de fechamento de todas as usinas nucleares no país até 2022 esconde, sob um manto verde, que a Alemanha recorrerá a mais usinas termelétricas (a gás e óleo) para poder abastecer de energia seu mercado interno. Igualmente, o programa – com subsídios de 1 bilhão de euros – para que, em 2020, o país tenha 1 milhão de automóveis elétricos nas ruas não deixa claro de onde virá a energia que moverá essa frota “verde”. Sem as usinas nucleares e com as tecnologias limpas sem condições de assumirem o total do fornecimento, o que se verá é a substituição de automóveis movidos a combustíveis fósseis por usinas abastecidas pelos mesmos combustíveis.

Hipocrisia verde
O anúncio do fechamento, que ocorreu depois da acachapante derrota da chanceler Angela Mercker – muito mais por sua política de redução de gastos públicos e confisco de direitos sociais, registre-se – deve provocar uma hipocrisia difícil de explicar. Ao mesmo tempo, em que desativa suas usinas nucleares deve aumentar as importações desse tipo de energia de países, como a França, que não seguirão o mesmo caminho.

Poder das verdinha$
Aliás, para acreditar na opção ecológica de Mercker só quando a chanceler remover do seu país o gigantesco arsenal nuclear que os Estados Unidos mantêm lá desde o fim da II Guerra Mundial e com potencial destrutivo infinitamente maior do que o das 17 reatores alemães juntos.

Ilusão verde-amarela
No Brasil, ONGs e procuradores do MP se empenham em impedir usinas hidrelétricas, mas calam sobre termelétricas – inclusive as mais poluentes, abastecidas com carvão, como defende o bilionário Eike Batista. O resultado é que, se em 2009, 85% da energia elétrica brasileira vinham de hidrelétricas, em 2030 essa participação cairá para 78%, prevê o Plano Nacional de Energia.
Os sete pontos percentuais de diferença não serão preenchidos por usinas de tecnologia limpa. Ao contrário: biomassa, junto com eólica, cairão de 5,7% para 5% do bolo. O crescimento se dará na geração nuclear (o dobro dos atuais 2,5%) e nas poluidoras usinas a gás natural (de 2,6% para 8%) e no carvão mineral e derivados (de 1,3% para 3%).

Faz de conta
No reino da diretoria da Eletrobrás, um manda, o outro não faz. Pode ser uma rima, mas não é solução para as dezenas de assessores dos diretores.

Fechado
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, não parecia com expressão de bons amigos após encontro com a secretária de Estado norte-americana, Hilary Clinton, na quarta-feira.

Repaginado
Pelo menos desta vez não teve Operação Uruguai.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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