O presidente argentino, Javier Milei, acusou nesta segunda-feira o Congresso argentino de promover projetos de lei que “buscam perturbar o equilíbrio fiscal” e chamou os parlamentares da oposição de “aqueles que estão tentando derrubar o governo”.
O presidente liderou um evento na periferia norte de Buenos Aires, onde destacou o papel do chefe de gabinete, Guillermo Francos, que, segundo ele, “tem que lidar com os orcs do Congresso, que estão tentando derrubar o governo”, cujo único objetivo “é atrapalhar o programa econômico”.
De acordo com um comunicado da Presidência, Milei afirmou que não falta política ao governo, mas sim que “os que estão do outro lado querem atrapalhar tudo, o que é algo muito diferente. O que importa para eles é ter poder; eles não se importam com os bons argentinos”.
O presidente enfatizou que os legisladores “apostam em quebrar o país, promovendo projetos que buscam desestabilizar o equilíbrio fiscal, aprovando todo tipo de barbaridades sem financiamento”. “Eles não se importam com os bons argentinos, e é claro que não se importam, porque eles são os maus argentinos. Eles são os aproveitadores e os que destruíram este país”, criticou o chefe de Estado. Acrescentou que “se o setor privado é o motor que nos impulsiona ao progresso, o setor público hoje deve se concentrar em eliminar as ervas daninhas e obstruções que impedem seu caminho”.
Segundo a Agência Xinhua, em 22 de agosto, o Senado argentino aprovou e sancionou um projeto de lei que aumenta o financiamento público para universidades, medida que o Poder Executivo rejeitou.
A lei aprovada estabelece uma atualização do orçamento estadual destinado às universidades públicas nacionais e aos salários no setor de ensino superior. A lei foi aprovada em uma sessão da Câmara Alta na qual cinco decretos de Milei, promovendo a desregulamentação estatal e o corte de gastos públicos — dois dos principais pilares de seu programa econômico — também foram rejeitados.
Recessão
O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, defendeu nesta segunda-feira os atuais níveis das taxas de juros impostas às operações de dívida do governo, embora tenha admitido que sua manutenção poderia desencadear uma recessão. Em mensagem na rede social X, afirmou que “as taxas são endógenas” e que o alto nível responde à necessidade do governo de aplicar um controle rigoroso sobre a quantidade de dinheiro que circula na economia, ação na qual está trabalhando em conjunto com o Banco Central da República Argentina (BCRA).
“Dado que as taxas são endógenas, um aumento acentuado delas por um longo período poderia levar a uma recessão, pois implicaria que a percepção de risco permaneceria alta, o que certamente prejudicaria qualquer investimento na economia real”, explicou Caputo. Nesse sentido, o funcionário estimou que o atual nível de rendimentos oferecido pelos instrumentos da dívida argentina é temporário. “Na situação atual, acreditamos que esse aumento das taxas será temporário, porque as eleições (legislativas de outubro) serão muito favoráveis para La Libertad Avanza (o partido governista)”, especificou.
Caputo previu que, após as eleições, as taxas cairão novamente, embora tenha enfatizado que “pode haver algum impacto no nível de atividade no curto prazo, mas deve se recuperar rapidamente após as eleições

















