Milícia monetária

O economista Dércio Munhoz, da Universidade de Brasília (UnB) compara a vinculação da política monetária à dívida pública, via a taxa básica de juros (Selic), à cobrança de proteção pela máfia ou pelas milícias nas favelas cariocas: “A taxa Selic cobra carona desnecessariamente para angariar apoio político interno e externo. É praticamente uma taxa de proteção cobrada pelas milícias. Assim não há como frear o aumento da carga tributária”, pondera.

Mídia em armas
A campanha do desarmamento tem tanta influência sobre a queda no número de homicídios quanto a maquiagem das estatísticas no Governo Alckmin ou o aquecimento global. Pelo menos até uma pesquisa séria, porque os números divulgados na terça-feira não permitem qualquer conclusão, a não ser que há uma tendência, desde 2003, de queda no total de pessoas assassinadas no Brasil.
Os números apresentados, aliás, permitem que se diga o contrário: após a campanha do desarmamento, o total de homicídios não praticados com armas de fogo (facas, venenos etc.) caiu em ritmo mais rápido que os praticados com pistolas etc. Estranhos mesmo, porém, são os percentuais apresentados, que não batem com os números, e parecem ter sido divulgados apenas para tentar criar uma nova campanha anti-armas – já devidamente derrotada nas urnas.

Razõe$
O dono de um bar e restaurante de porte médio da Zona Sul do Rio comemorou com champanhe a votação que pôs fim à CPMF. A escolha da bebida tinha bons motivos. Com giro de R$ 500 mil por mês, o estabelecimento recebe cerca de 80% desse montante em meios de pagamento eletrônicos. Ou seja, com passagem obrigatória pela conta bancária e, et por cause, ao alcance do Leão.

Rabo de fora
Aliás, segundo dados consolidados até novembro, a Receita Federal, em 2007, fez autuações de R$ 35 bilhões, graças à comparação entre o movimento bancário detectado pela CPMF e a renda declarada por aqueles correntistas. O valor é praticamente idêntico aos cerca de R$ 40 bilhões arrecadados diretamente pela CPMF.

Elementar, meu caro Skaf
A propósito, nesta quinta-feira, quando se completa um mês da extinção da CPMF, o país aguarda balanço a ser feito pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sobre a queda dos preços dos produtos industriais, recorrentemente prometidos e vinculados ao fim da contribuição. Embora Skaf já tenha recomendado aos associados da Fiesp o barateamento dos produtos, os brasileiros continuam a desconhecer em que setores e em que escala se deu esse fenômeno. Talvez, Skaf possa aproveitar a efeméride para esclarecer esse mistério.

Hospedagem
Com 18 unidades hoteleiras – três no Brasil e 15 em Portugal – o grupo português Vila Galé faturou 69,208 milhões de euros, em 2007, crescimento de 9,07% sobre 2006, ou mais 5,756 milhões. O grupo, cujas unidades no Brasil somam 971 apartamentos, registrou, no mesmo período, aumento de 4,43% na taxa de ocupação, com média de 71,65 %, contra 67,22%, em 2006. No total, foram ocupados 122.663 quartos em 2007.

Candomblé
O Aeroporto do Galeão recebe, de 8 de fevereiro a 5 de março, a exposição Renovado e Inovando, do artista plástico Heider Moutin. Ele atua como pintor plástico há quase 15 anos e tem uma vasta produção voltada para a cultura negra, enfocando principalmente temas ligados ao candomblé. A mostra, no Espaço Cultural do Terminal de Passageiros II, fica aberta 24 horas e a entrada é franca.

Perdas e ganhos
Um ano da Lei Cidade Limpa, com o objetivo de eliminar cartazes e outdoors em São Paulo, limitando a dimensão da publicidade externa, conseguiu impulsionar o mercado do acrílico. O produto é utilizado para melhorar o visual das fachadas em lojas e empresas. A prefeitura selecionou 40 ruas – uma por cada subprefeitura – em que há grande concentração de estabelecimentos comerciais e que servirão de “ruas-modelo”, para eliminar a poluição visual.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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