Mineração é um dos mais resilientes diante da pandemia

Até o momento, o setor de mineração é considerado um dos mais resilientes em relação a crise provocada pela Covid-19. A afirmação consta do relatório Mine 2020 , da PwC. A lista (organizada de acordo com o valor de mercado em 31/12/2019) é encabeçada por BHP, Rio Tinto e a brasileira Vale, incluindo ainda produtoras importantes de commodities como carvão (China Shenhua), níquel (MMC Norilsk Nickel) e ouro (Newmont Corporation).

O estudo prevê um impacto de, aproximadamente, 6% na receita das 40 maiores mineradoras em 2020, o equivalente a US$ 649 bilhões, devido à queda dos preços das commodities. Segundo o relatório, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e redução ao valor recuperável) deve apresentar queda do mesmo montante (6%), para US$ 157 bilhões.

De acordo com a PwC, a análise estima que o impacto da pandemia para as 40 maiores mineradoras globais, de acordo com o critério de valor de mercado, deva ser relativamente moderado este ano, com base em estimativas de produção e preço das commodities – e com o aproveitamento desse momento, por parte das empresas, para redesenharem suas estratégias de negócios a fim de mitigarem eventuais riscos econômicos e sociais.

A PwC acredita que as 40 maiores empresas estejam em uma posição hábil para enfrentar com força e resistência a incerteza econômica trazida pela pandemia, com finanças saudáveis e empresas operando normalmente. O setor de mineração tem mantido uma performance boa mesmo em situações ruins”, diz Ronaldo Valiño, sócio da PwC e líder do setor de mineração.

Esse é um diferencial da mineração: as empresas estão de certa forma acostumadas a uma certa flutuação de preços, além de terem ajustado os custos, aumentado a automação e reduzido a influência humana. Isso faz com que elas possam ter essa resiliência, sentindo bem pouco os impactos da crise provocada pelo Covid-19”, ressalta o executivo.

Porém, apesar da perspectiva positiva, o relatório alerta as empresas para a necessidade de adaptação aos impactos causados pela pandemia no longo prazo, que ainda permanecem incertos. Entre as muitas possibilidades, estão ações ligadas à localização das cadeias de suprimento, com maior aproximação das comunidades locais como estratégia de redução de riscos.

O relatório destaca a diferença nas curvas de preço das commodities minerais, com o ouro e o minério de ferro em alta até aqui, enquanto os preços dos metais básicos estão em declínio desde janeiro.

 

Investimentos e negócios

 

Os investimentos em novos ativos registraram um aumento de 11% no FY19, chegando a US$ 61 bilhões, segundo o relatório. A expectativa é que em 2020 esses investimentos desacelerem, liberando fluxos de caixa e dando às mineradoras a capacidade de pagar dividendos, caso assim desejem.

Segundo o estudo, não devem ser realizadas muitas mega-transações em 2020, devido ao aumento da incerteza econômica, bem como restrições práticas de visitas e inspeções aos sítios de mineração. No entanto, as condições atuais oferecem oportunidades para as Top 40 capitalizarem por meio de aquisições menores, em seus mercados locais.

 

Ataques cibernéticos

 

Atualmente, apenas 12% dos CEOs das empresas de mineração e metais afirmam estar extremamente preocupados com a cibersegurança (comparado a 14% no FY19 e 21% no FY18). O relatório observa, entretanto, que no mesmo período o número de ataques ou violações de cibersegurança em empresas de mineração aumentou quatro vezes.

"À medida que aumenta o nível de tecnologia utilizado, é preciso também que as empresas aumentem o cuidado com ataques cibernéticos, para não ficarem vulneráveis a ataques hackers que invadem e paralisam seus sistemas, prejudicando a produção e eventualmente até pedindo resgate. A preocupação com a cibersegurança deve ser parte das principais estratégias adotadas, da mesma forma com que o setor bancário e o de varejo já atuam", afirma Valiño.

 

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