Minerais críticos: Brasil não pode reproduzir ciclo extrativista

Especialista defende que é fundamental que tenhamos uma política nacional para dar tratamento a minerais críticos e não sermos meros exportadores.

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Minerais críticos, terras-raras
Minerais críticos (foto Serviço Geológico do BR)

Os países do G20 defenderam que minerais críticos devem ser beneficiados nos países de origem. Na reunião de cúpula das 20 nações mais ricas do mundo, Lula afirmou: “Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica.”

Mônica Sodré, CEO da Meridiana (organização de inteligência política para assuntos de economia de baixo carbono), destaca à coluna que há 3 processos simultâneos demandando minerais críticos estratégicos. “Se fala em eletrificação, o mundo tomou uma decisão há alguns anos de que a menor emissão de carbono vai passar por eletrificar, por exemplo, veículos. Tem uma segunda frente demandando inteligência artificial; processar informação e dados exige esse tipo de mineral. E uma terceira frente que é guerra, estamos falando de um mundo que tem hoje o maior gasto militar nos últimos 40 anos.”

O Brasil detém parte significativa dessas reservas de minerais críticos que interessam o mundo e não pode se portar como mero exportador de commodity. “Então é fundamental que nós tenhamos uma política nacional (que hoje não existe) para dar tratamento a esses minerais, mas é fundamental também que a gente não se comporte como um país meramente exportador, reproduzindo um ciclo extrativista e um modelo de desenvolvimento baseado na extração de commodities, que é o que nos trouxe até aqui, e para isso a gente precisa adensar e desenvolver cadeias produtivas”, defende Mônica Sodré.

“Boa parte do refino desses minerais hoje é concentrada na China e o que a gente precisa fazer no país é garantir que nós tenhamos entrada na cadeia de produção para além do inicial, para além da extração e exportação do concentrado bruto. Isso também exige estudos econômicos, entender qual vai ser a demanda desses minerais nos próximos anos”, explica.

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“Não adianta também a gente correr para fazer algo que, de repente, não vai ter comprador no futuro. Então, é uma discussão ambiental por um lado, mas é também uma discussão econômica, sobretudo. E é uma oportunidade para um país que detém parte dos recursos que interessam ao mundo para a sua descarbonização”, salienta a CEO.

Maceió afundou

Em livro-reportagem, Cristina Serra narra a tragédia em Maceió, na tarde de 3 de março de 2018, quando 5 bairros começaram a afundar, resultado de 4 décadas de mineração subterrânea pela petroquímica Braskem, no coração da capital alagoana.

Cidade rachada (Máquina de Livros) teve pré-lançamento na COP 30. No Rio de Janeiro, o lançamento será nesta quarta-feira (3).

Rápidas

O Centro Celso Furtado (Cicef) realizará a 1ª Semana de Economia Brasileira Cicef-BNDES, no Edifício Gustavo Capanema e no Palácio da Fazenda, para discutir os últimos 40 anos da economia brasileira, com presença da ministra Esther Dweck. A cerimônia de abertura será nesta segunda-feira, 10h *** A Sociedade Brasileira de Psicanálise (SBPRJ) realizará, neste sábado, 9h, o II Evento Multidisciplinar – “A Psicanálise na Infância e na Adolescência: nas bordas do mundo virtual”, no Leblon Corporate. A psicanalista e perita em Vara de Família Renata Bento apresentará “As mídias sociais na adolescência: o fascínio e os riscos” *** Felipe Mendes, cofundador da T&D Sustentável, de Macaé, foi um dos vencedores da Global Student Entrepreneur Award (GSEA) Brasil, que reúne jovens empreendedores que dirigem negócios enquanto ainda estudam, garantindo vaga para a etapa latino-americana, que acontecerá em fevereiro, no Panamá *** A EssilorLuxottica abriu inscrições para o Programa de Estágio 2026, com cerca de 80 vagas em vários estados e de diversos cursos. A bolsa-auxílio é de R$ 1,9 mil, mais benefícios *** West Shopping promove exposição fotográfica gratuita “Campo Grande por trás das lentes”, de até 30/12, com registros sobre a riqueza histórica e arquitetônica do bairro carioca *** Filmes produzidos por estudantes de escolas públicas do Rio, Macaé, Vitória e Cumuruxatiba (BA), que participaram das oficinas de cinema do Programa Imagens em Movimento, serão exibidos no dia 5, 9h30, no Cine Carioca José Wilker, em Laranjeiras. Entrada franca.

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