Ministério do Trabalho volta com a perda de empregos

Quase 15 milhões de trabalhadores desempregados, 34 milhões informais na interinidade e mais de 5 milhões de desalentados, tudo isso para uma população ocupada de 84,9 milhões. Este é o cenário sombrio da política de emprego após um ano e meio da extinção do Ministério do Trabalho, pelo presidente Jair Bolsonaro, ao transformá-lo numa secretaria especial do Ministério da Economia.

Nesta quarta-feira o presidente, entrevista à rádio Jovem Pan, afirmou que fará uma “mudança ministerial” na próxima segunda-feira (26). Entre essas mudanças está a recriação do Ministério do Trabalho criado por Getúlio Vargas em 1930. Pretende entregar a nova pasta a Onyx Lorenzoni, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Agradar o centrão

A mudança faz parte de movimentos do governo para tentar agradar o centrão em um momento de fragilidade do governo, que enfrenta acusações de corrupção na CPI da Pandeima no Senado e uma queda drástica na popularidade.

Segundo uma das fontes ouvidas pelo portal Terra, apesar da resistência do ministro da Economia, Paulo Guedes, em dividir sua pasta, ele terminou por concordar em abrir mão do Trabalho. Onyx se reuniu com Guedes na manhã desta quarta-feira na Economia para tratar da mudança, sdegundo as fontes.

Nas alterações está a ida de Luiz Eduardo Ramos para a Secretaria-Geral – daí a necessidade de deslocar Onyx- para abrir a Casa Civil para um nome do Senado. No momento, de acordo com fontes, o nome mais provável é do senador Ciro Nogueira (PP-PI), mudança que foi discutida em uma reunião nesta terça-feira (20) no Palácio do Planalto e pode não ser a única a ocorrer.

Organizacional

Após anúncio do presidente Jair Bolsonaro sobre reforma ministerial, o ministro da Economia. “Tem novidades na nossa organização estrutural, vamos fazer uma mudança organizacional. Essas novidades são exatamente na direção de emprego e renda. Acelera o ritmo de criação de empregos”, explicou o Guedes em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, para comentar os resultados arrecadação federal de junho.

Atualmente, as responsabilidades do antigo Ministério do Trabalho são geridas pelo secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco. A área de geração de empregos tem sido motivo de comemoração do governo desde o segundo semestre de 2020, quando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) voltou a registrar números positivo sobre a criação de novas vagas de emprego no mercado de trabalho formal, mesmo em meio às crises econômica e sanitária.

Fugindo do Brasil

Enquanto isso, mesmo com as inúmeras restrições à entrada em vários países por causa da pandemia, o brasileiro volta a tentar a vida fora do país. Dados da Polícia Federal indicam que as fronteiras brasileiras registraram 131,5 mil movimentos de saída de brasileiros que não voltaram entre janeiro e maio de 2021. Em um país em crise econômica e com desemprego recorde, a falta de perspectiva sobre o futuro parece ser a razão do novo movimento emigratório brasileiro.

O Sistema de Tráfego Internacional (STI) é a plataforma da Polícia Federal onde são registrados os movimentos de entrada e saída de pessoas no Brasil. Esse banco de dados é alimentado a cada vez que brasileiros e estrangeiros passam pelo controle migratório da PF em aeroportos, portos e fronteiras terrestres.

Com 88 anos de atividade ininterrupta, o Ministério do Trabalho exerceu sua função de mediação das relações entre capital e trabalho, bem como a solução para a pobreza crescente devido à exploração predatória de trabalhadores e trabalhadoras. Como justificativa para seu criador, Getulio Vargas, haveria acolhida para tais questões nos braços do Estado.

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