Ministro da Economia tenta “acelerar” retomada

Paulo Guedes citou como referência avaliação do FMI que prevê queda menor do PIB.

Mercado Financeiro / 00:27 - 20 de out de 2020

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, está tentando diluir a ideia de queda acentuada da economia brasileira. O ministro afirmou nesta segunda-feira que a economia brasileira está em recuperação e o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano será menor do que o esperado inicialmente.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. “A previsão inicial do FMI (Fundo Monetário Internacional) e outras instituições financeiras era que o PIB brasileiro cairia quase 10%, ou mais e nós revisamos para 5% a 5,5%, metade da estimativa inicial. Mas pensamos que vai ser muito menos do que isso: 4% de queda”, disse o ministro em vídeo gravado e transmitido em reunião virtual da Cúpula da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

Também nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, também frisou que aguarda uma queda menor da economia brasileira neste ano. Ele participou de uma conferência organizada pelo Milken Institute. Campos Neto acredita que o recuo deve ficar em torno de 4,5%, em 2020.

Segundo Campos Neto, o Brasil foi o país que mais gastou para enfrentar a pandemia da Covid-19, entre os emergentes. Mas também é o país que teve queda menor na economia e recuperação “mais forte”. Ele destacou que agora o Brasil precisa resgatar a credibilidade em relação à sustentabilidade das contas públicas, com disciplina fiscal e continuidade das reformas na economia.

Em setembro, quando a última estimativa foi divulgada, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia manteve a projeção para a queda da economia, neste ano, em 4,7%.

A última estimativa do BC, também divulgada em setembro, previa queda do PIB de 5%, neste ano.

Em pesquisa do BC ao mercado financeiro divulgada hoje, a previsão de bancos é que ao PIB terá retração de 5% em 2020.

 

Investimentos

 

Paulo Guedes disse que é preciso transformar “a onda de consumo” estimulada pelo auxílio emergencial, que sustentou as pessoas mais vulneráveis na crise gerada pela pandemia da covid-19, em um “bom de investimentos”. O ministro afirmou que o governo manterá a agenda de reformas e quer abrir a fronteira de investimentos, com mudanças em marcos regulatórios, mais concessões e privatizações. Ele citou a aprovação do marco do saneamento pelo Congresso Nacional e lembrou de outras propostas como do gás natural.

Guedes defendeu ainda o teto de gastos para controlar as contas públicas. De acordo com o ministro, enquanto a classe política não tiver controle sobre o orçamento, por conta das indexações que existem atualmente, não será possível eliminar o teto de gastos. “Se desindexarmos o orçamento, se fizermos desobrigação, desvincularmos todos esses gastos e a classe política tomar controle do orçamento novamente, como em qualquer outro país, poderíamos nos dar ao luxo de liberar esse teto”, disse.

Segundo agência Brasil, o ministro acrescentou que a manutenção do teto é uma “grande luta”. “Em alguns momentos há até luta interna, fogo amigo, pessoas aqui que querem gastar dinheiro e mandam sinais mistos para o mercado, isso é muito ruim”, disse. Guedes destacou que o presidente Jair Bolsonaro tem dado apoio para a manutenção do teto dos gastos.

 

 

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