Ministros de Áñez podem ser presos por compra superfaturada no Brasil

Compra poderia ter sido feita de maneira direta, mas Murillo preferiu usar empresa brasileira como intermediária.

Internacional / 14:54 - 17 de nov de 2020

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O Ministério Público boliviano emitiu mandados de prisão contra Arturo Murillo e Fernando López, que foram ministros de Governo e da Defesa, respectivamente, durante o governo autoproclamado chefiado por Jeanine Áñez. Os mandados de prisão estão relacionados com suposto superfaturamento na compra de materiais de repressão "não letais" do Brasil. A ordem de prisão foi emitida no dia 5 de novembro, mas só veio a público na última segunda-feira.

O caso foi aberto após uma denúncia de sete deputados do Movimento pelo Socialismo (MAS). Segundo o jornal El Deber, em 19 de dezembro de 2019, o então ministro da Defesa assinou contrato com a empresa Bravo Tactical Solutions LLC, com sede nos Estados Unidos, no valor de 250 a 270 bolivianos (entre 36 e 39 dólares) para cada cartucho de gás lacrimogêneo, dependendo do seu modelo.

A compra poderia ter sido feita de maneira direta, mas as então autoridades bolivianas preferiram usar uma empresa brasileira como intermediária.

Desta forma, segundo a denúncia, o Estado pagou US$ 5,6 milhões por este tipo de arma, quantia considerada excessiva. O periódico boliviano diz que o prejuízo com a operação chega a US$ 2 milhões.

Na semana passada, o Brasil de Fato noticiou que Murillo foi ao Panamá, via Brasil, no dia em que a ordem de prisão foi determinada.

Murillo teria atravessado a fronteira pela cidade boliviana de Puerto Suárez até chegar a Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Depois se dirigiu a São Paulo, onde embarcou para a Cidade do Panamá, na madrugada do dia 9. Segundo fontes do serviço imigratório brasileiro, a entrada foi registrada pela Polícia Federal.

O comandante-geral da Polícia da Bolívia, Jhonny Aguilera, confirmou nesta terça-feira a fuga dos dois ex-ministros. López ainda estaria no Brasil, assinalou o oficial, segundo a agência de notícias Xinhua. A imigração brasileira confirmou a entrada de ambos os ex-ministros procurados pelo governo. A Bolívia solicitará ajuda à Interpol.

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