Mirem-se no exemplo daquela dívida de Atenas

A crise da Grécia volta às primeiras páginas dos jornais e dos sites (não dá mais manchete). A dívida atribuída ao país, como até o FMI já avisou, é impagável. Quase dois anos de sacrifício desde a última rendição do país – aceita pelo governo “de esquerda” do primeiro-ministro Alexis Tsipras – que se seguiu a uma década de cortes de gastos sociais e sacrifícios, o que se tem é um desemprego de 23% da população e total falta de perspectivas de uma solução.

O exemplo, se preciso fosse, deveria ser observado pelos governadores dos estados brasileiros. A imposição de privatização, mais cortes nos gastos e confisco dos salários dos servidores atende à agenda da equipe econômica de Henrique Meirelles, mas só vai aprofundar a crise. Ninguém duvida que, em menos de três anos, se continuar nesta toada, os governadores serão forçados a se ajoelhar novamente. Este jornal alertara, no ano passado, que o efeito do alívio conseguido no pagamento da dívida não duraria até o final de 2016. Se Minas, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul aparecem como os piores hoje, a tendência, com a queda na arrecadação, é ganharem companhia ainda este ano.

Dificilmente, as propostas arrasa quarteirão que Meirelles impôs ao Rio passarão incólumes pela Assembleia Legislativa. No ano passado, a reação dos servidores, especialmente os policiais, sepultou pacote semelhante. A previsão é de novos confrontos. Ainda assim, deve sobrar a privatização da companhia de saneamento, a Cedae – certeza de aumento de tarifas e piora na qualidade do atendimento. É contratar hoje a crise de amanhã.

Danos morais

Existe a possibilidade de o servidor público ingressar no Judiciário com pedido de indenização material e moral pelo atraso no pagamento de proventos, especialmente porque, tanto os salários, quanto as aposentadorias e as pensões relativas aos funcionários públicos são de caráter alimentar e deveriam ser depositadas corretamente.

O entendimento é da advogada Luciana Gouvêa. “Tem o agravante também que nem o Estado do Rio de Janeiro, nem o Rio Previdência quitaram todos os valores devidos desde o ano passado, portanto ainda estão incorrendo em juros e correção monetária devido ao atraso (danos materiais), além de possíveis danos morais relativos a todo o sofrimento que vêm ocasionando aos seus segurados.

O escritório Gouvêa Advogados Associados realiza nesta quinta um encontro para debater as medidas legais para a proteção do servidor público. Será no auditório do escritório, na Almirante Barroso 63, Centro do Rio de Janeiro, entre 14h30 e 17h

Solto

O repórter do canal RT Alex Rubinstein, preso durante a cobertura de protestos nos Estados Unidos contra a posse de Donald Trump, foi absolvido de todas as acusações.

A posse foi há dez dias. No Brasil, Rubinstein passaria pelo menos uns seis meses antes de ir à presença de algum juiz.

Falta do que fazer

Alguns blocos do Rio de Janeiro ganharam seus 15 minutos de fama divulgando que não levarão às ruas marchinhas clássicas, como Maria Sapatão e O teu Cabelo não Nega, por as acharem preconceituosas. Noves fora a ignorância histórica e sociológica dos líderes desses blocos, fica a dúvida: um deles se chama Mulheres Rodadas; nenhum preconceito nisso?

O cavalo está lá fora

O brasileiro voltou a ser uma das populações mais otimistas do mundo, segundo a pesquisa Barômetro Global de Otimismo, feita pelo Ibope Inteligência em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research (WIN). O levantamento mostra que 68% da população brasileira acredita que 2017 será melhor do que 2016.

O problema é que o Brasil, quinta nação mais otimista para este ano, está atrás de Bangladesh, Gana, Costa do Marfim e Fiji. Entre as nações mais pessimistas para este ano estão Itália, Grécia e Hong Kong. Mais que Iraque ou Afeganistão.

Faz lembrar a piada de Juca Chaves (essa é antiga) sobre os presentes dados a um pessimista e a um otimista.

Rápidas

Empreendedorismo e práticas de gestão de negócios para micro, pequenas e médias empresas são temas do livro a ser lançado nesta quinta-feira pelo professor e coordenador do MBA em Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios da FGV, Marcus Quintella. O lançamento de Empreendedorismo & Gestão de Negócios será na Livraria da Travessa de Botafogo, às 19h *** A advogada Ana Tereza Basilio e o juiz Paulo Assed Estefan falam nesta sexta, na Escola da Magistratura do Rio de Janeiro (Emerj), sobre recuperação judicial *** O Programa de Pós-Graduação em Direito da FGV Direito SP (GVlaw) está com inscrições abertas para o curso de curta duração em Liderança Sindical Empresarial, voltado a advogados, gestores de recursos humanos, diretores e administradores de empresas e diretores de entidades sindicais empresariais. Mais informações em http://direitosp.fgv.br/cursos/lideranca-sindical-empresarial

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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