Mister P

O ex-prefeito Cesar Maia se defende – atacando – da acusação de que deixou um buraco na prefeitura do Rio de Janeiro. Diz ele que, em 2001, o FunPrevi (fundo de previdência dos servidores municipais) tinha R$ 1 bilhão em caixa; em 2008, este valor teria chegado a R$ 2 bilhões. “Mas a gestão – digamos, imprudente – da atual prefeitura levou à perda de R$ 300 milhões em dois anos. Como é possível isto ter acontecido?”

Furacão chileno
Para os que, após o fim da ditadura do verdugo Pinochet, visitaram o Chile, é sinônimo de júbilo a retomada do movimento estudantil, capaz de reunir 150 mil jovens, seus pais e professores. Diferentemente da sociedade fervilhante, politizada e mobilizada de antes do golpe, os 17 longos anos do fascismo que assolou aquele país, associado à administração despolitizante e neoliberal da Concertação, transformaram o Chile num país quase anódino em relação aos grandes temas nacionais e internacionais.
Ver a volta dos seu jovens às ruas é motivo de comemoração, para muito além das bandeiras que levantam em defesa da Educação, mas por celebrar a retomada do protagonismo das ruas em contraponto aos conchavos de gabinete que tornou a alternância do poder, na grande maioria dos países, mera troca de guarda nos condomínios que administram a vida da grande maioria do mundo, mantendo a essência das políticas financistas.

O rei está nu
A retomada da luta estudantil no Chile converge com o avanço de movimentos de Indignados, em vários países da Europa – fenômeno que apenas o dogmatismo da mídia ainda dominante impede que seja batizado de Primavera Européia. A irrupção desses grupos em lugares tão variados, como Espanha, Grécia e Portugal, não é mera coincidência. Em todos eles, a exemplo do Chile, os partidos que se alternam no poder nas duas últimas décadas não têm, salvo sutis nuanças na aplicação das políticas neoliberais – e claro, a briga pela chave do butim – qualquer diferença essencial entre o que oferecem a seus povos.
A expressão farsesca mais acabada dessas políticas siamesas é que, ao partido derrotado nas urnas por suas medidas antipopulares, segue-se outra agremiação – que, formalmente, se reivindica mais à direita ou à esquerda – mas que aplica o mesmo receituário, quando não o aprofunda. Et por cause, é apeado do poder, para que, então, a ele retornem os que anteriormente haviam sido derrotados pelas mesmas razões.
A presença dos Indignados nas ruas é um aviso de que as populações cansaram-se desse bipartidarismo engessado por regras que excluem outros atores das disputas eleitorais. Seu grande desafio será apresentar alternativas às políticas caquéticas, além da sua combativa oposição a estas medidas. Ainda que não avancem nessa direção, cumpriram o papel, só aparentemente óbvio, de dizer que o rei está nu.

Abastece
O segmento de lojas de conveniência em postos de gasolina deve crescer 10% este ano, ultrapassando a marca de 10 mil estabelecimentos, estimam os organizadores da ExpoPostos & Conveniência, que acontecerá em agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. Entre 2009 e 2010, as lojas tiveram um aumento de receita 5%.

Biomassa
Estudo realizado pela Embrapa Solos em parceria com a ONG Instituto BioAtlântica (IBio) quantificou a biomassa (quantidade total de matéria viva existente) de um florestas na Área de Proteção Ambiental Rio Macacu (RJ). Foram estimadas de 40 a 200 toneladas de biomassa por hectare. Isso equivale a algo em torno de 18 a 90 toneladas de carbono sequestrados ao ambiente. Esse estudo da biomassa florestal cria uma referência técnica para a regulamentação de pagamentos por serviços ambientais, previstos em decreto aprovado na Assembléia Legislativa do Rio. O estudo está disponível em www.cnps.embrapa.br/solosbr/pdfs/bpd163_2010_estimativas_biomassa.pdf

Esconjuro
Uma repórter deste jornal entrou em contato com a assessoria de imprensa do Itaú para saber se o banco integra a Sete Brasil, empresa constituída para financiar plataformas de petróleo para o pré-sal. São acionistas Petrobras, Caixa, Bradesco, BTG Pactual, outros bancos e fundos de pensão. A resposta do Itaú foi, no mínimo, intrigante: “Não comentaremos o assunto”. Medo de quê?

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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