Mitos

A disparada do preço da gasolina nos postos do Rio, que chegou até 17,43%, bem acima do aumento máximo de 7,5% estimado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Rio, só surpreendeu aos incautos. Desde a quebra do monopólio estatal do petróleo, em 1995, o preço da gasolina já saltara, antes do último aumento, de R$ 0,52 para R$ 1,20, uma alta de 130,76% contra uma inflação acumulada de cerca de 50% em quatro anos e meio. Ou seja, a abertura do setor para empresas estrangeiros só beneficiou às próprias multinacionais, que obtiveram do tucanato a fixação de “preços competitivos”, em detrimento do bolso do consumidor.
Mitos II
Além de preços mais altos, que pressionam o “custo Brasil”, como a greve do caminhoneiros colocou em evidência, a liberação da importação de petróleo e derivados pressionará ainda mais a balança de pagamentos do país. Em 1962, o Congresso Nacional aprovou o Decreto 53.337, concedendo exclusividade à Petrobras nas importações e exportações de petróleo e derivados. A aprovação foi precedida de estudo detalhado, revelando que, entre 1954 e 62,  a Petrobras pagara preços 30% menores que as importações feitas por Shell, Esso, Texaco e Atlantic. Graça à legislação aprovada pelo Congresso, o país economizou nos últimos 45 anos US$ 476 bilhões na importação de petróleo e derivados. Essa economia é mais de quatro vezes maior que o rombo acumulado na balança de pagamento durante os primeiros quatro anos do governo FH.

Ociosidade intelectual
Plagiando o Sergio Motta, chega de masturbação sociológica. O país exige mais retomada do crescimento e menos elucubração de terceira categoria.

Virtual
Os videntes menos fundamentalistas garantem: o mundo não acaba amanhã, mas, em compensação, o governo FH já morreu e só ele não sabe.

Plano Brady
Faltou, para ficar  mais claro, no substitutivo do senador Roberto Requião (PMDB-PR) que possibilita a renegociação da dívida dos estados, um item determinando a redução do estoque da dívida, proposta que começa a ganhar corpo no Congresso. O Plano Brady, para as dívidas externas, teve o mérito de reconhecer que os débitos, inflados por juros altíssimos, não poderiam ser pagos sem desconto. Juros muito mais elevados multiplicaram por seis as dívidas dos estados, tornando obrigatória uma redução do estoque.

Tementes
O tratamento depreciativo dedicado pela imprensa “chapa branca” ao novo governo da Venezuela é proporcional ao incômodo causado pelo surgimento de uma alternativa concreta ao neoliberalismo e com forte apelo popular.

Empreiteiras
O governo vai implementar a partir do próximo ano um novo modelo de gestão para as estradas federais. Pelo novo Contrato de Recuperação e Manutenção de Rodovias (Crema), que terá prazo de cinco anos, a empreiteira que vencer a licitação fará a restauração e a manutenção pelo mesmo preço que, hoje, faz apenas a restauração. O Governo vê nesse novo modelo vantagens para todos: para as empreiteiras, o aumento dos trechos licitados, que passam dos atuais 50 km, em média, para cerca de 500 km; para o próprio Governo, a eliminação dos gastos com manutenção, que ficará a cargo da iniciativa privada, e não mais do DNER; e os usuários teriam estradas melhores, pois as empresas vão aprimorar a qualidade da restauração para reduzir as despesas de manutenção – confissão indireta de que o DNER não fiscaliza as atuais obras a contento. Aliás, a fiscalização é falha também nas rodovias que estão sob concessão privada. O que levanta uma dúvida: será que a mudança não vai somente beneficiar as empreiteiras de maior porte, que ficarão com grandes trechos de estradas, contando com a vista grossa do DNER para não fazer a manutenção necessária? As primeiras rodovias a se beneficiarem do novo modelo serão a BR 153/010 (Belém-Brasília), a BR 040 (entre Brasília e Sete Lagoas, em Minas), a BR 020 (entre Brasília e Barreiras, na Bahia), a BR 316/232 (Belém-Caruaru, passando por Picos, no Piauí) e as BRs 290 e 392, no Rio Grande do Sul.

Inventividade
Ah, se a imprensa “chapa branca” que trata o PDV do governo FH para os servidores como uma oportunidade ímpar de negócios tivesse o mesmo despreendimento na hora de coçar o próprio bolso para bancar as perdas com a desvalorização cambial, o Proer do BNDES não passaria de uma quimera.

Total
Além de exercitar a “masturbação intelectual”, tucanos decidiram polemizar sobre o “fracasso parcial” do Plano Real, tese lançada semana passada pelo ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros. Enquanto o governador de São Paulo, Mário Covas, parece concordar com a autocrítica, o genro de FH, David Zylbertajn, disse ontem que deve ter “baixado” o espírito de Serjão em Mendonça de Barros.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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