É como já afirmamos: basta alguma melhora no ambiente político para que os mercados forneçam a resposta adequada. Esta terça foi um dia típico de melhora, com os mercados no exterior operando em queda e a Bovespa em alta durante todo o dia. É bem verdade que o mercado americano abriu com boa alta, mas foi perdendo tração.
No segmento externo, a situação permanece conturbada com graves incertezas sobre o Brexit e quem será o sucessor de Theresa May. Provavelmente depois de 7 de junho. Temos vários candidatos para suceder, mas Jean-Claude Juncker da União Europeia voltou a afirmar que não haverá renegociação do acordo do Brexit.
Ainda no Reino Unido, constatamos que as votações para o parlamento europeu foram ruins para o Partido Conservador e os eurocéticos avançaram, apesar de não terem força para controlar. O fato deve complicar um pouco a união dos países do bloco. Como pano de fundo dessas incertezas, surgem as negociações entre EUA e China. Além de eventual ampliação do protecionismo entre os países e queda no comércio transnacional. A persistência do impasse levaria no limite à redução do PIB global, complicando a vida de países emergentes, principalmente os desajustados.
Nos EUA, a confiança do consumidor do Conference Board subiu para 134,1 pontos em maio, de anterior em 129,2 pontos. O índice de atividade industrial do Fed de Dallas caiu para 6,3 pontos, de anterior em 12,4 pontos. Citamos que durante o dia a taxa de juros dos notes americanos de 10 anos atingiram o menor patamar desde 2017.
Convém lembrar ainda que a União Europeia pode multar a Itália em cerca de 4,0 bilhões de euros, por descumprir acordo de endividamento. O país já atravessa muitos problemas. A Fitch projeta que bancos da União Europeia sofrerão regulação mais restrita no que tange à lavagem de recursos. No mercado, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,61%, com o barril cotado a US$ 58,99. O euro era transacionado em US$ 1,116 e notes de 10 anos na mínima chegaram a 2,26%.
No segmento doméstico, no âmbito político, tivemos a reunião dos três poderes no Alvorada, classificada pelo ministro Paulo Guedes como excelente, e originando um pacto a ser assinado, contendo metas. Moro e Guedes reforçaram pedido de Bolsonaro aos senadores da base de votaram do mesmo jeito que a Câmara aprovou. Para não existir risco de a Medida Provisória 870 caducar.
O Tesouro anunciou que a Dívida Pública Federal (DPF) de abril chegou a R$ 3,88 trilhões, em queda de 1,0% e o impacto dos juros no mês foi de R$ 28,8 bilhões. A participação dos estrangeiros subiu para 12,50 do total da dívida. A parcela prefixada caiu para 30,16% do total e indexada a inflação subiu para 28,70%. A parcela referenciada na Selic subiu para 36,85%. O prazo médio da dívida ficou em 4,22 anos e o custo médio caiu para 9,77%.
No mercado, dia de DIs em queda para os principais vencimentos e dólar com -0,29% e cotado no encerramento em R$ 4,02. Na Bovespa, na sessão de 24 de maio, os investidores estrangeiros retiraram R$ 97,2 milhões, deixando o saldo negativo de maio em R$ 5,19 bilhões e o ano com saída de R$ 4,69 bilhões.
No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,07%, Paris com -0,45% e Frankfurt com -0,37%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 0,42% e 0,66%. No mercado americano, o Dow Jones com -0,93% e Nasdaq com -0,39%. Na Bovespa, dia de alta de 1,61% e índice em 96.392 pontos.
Na agenda desta quarta, teremos a confiança do setor de serviços em maio pela FGV. Teremos ainda o IPP de preços do produtor e a nota de política monetária de abril. Será divulgado o fluxo cambial da semana anterior pelo Banco Central. Nos EUA, o índice de atividade industrial de Richmond de maio.
Boa noite e até amanhã.
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Alvaro Bandeira
Economista-chefe do Banco Digital Modalmais
















