Modalmais – Fechamento 29.05: Mercados domésticos na contramão

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A quarta-feira foi mais um dia em que os mercados locais operaram na contramão de outros mercados importantes do mundo. A Bovespa até que passou boa parte da mão no campo negativo. Mas depois conseguiu firmar o terceiro pregão de alta (bem mais moderada), enquanto o dólar voltou a vazar para baixo a barreira dos R$ 4. O real foi a moeda que mais valorizou em relação ao dólar.

Enquanto isso no mundo, os mercados voltaram a ter dia negativo e valorização do dólar, diante das incertezas reinantes. Na Europa, o clima é negativo com Brexit ainda sem solução e sem sucessão de Theresa May. E ainda com Angela Merkel da Alemanha querendo acordo rápido para eleger o próximo presidente da Comissão Europeia.

As relações comerciais entre os EUA e a China seguem sem notícias dos negociadores, mas a imprensa chinesa noticiou que a retaliação pode vir nas "terras raras"; que é o insumo para alta tecnologia, onde a China é a maior exportadora. O Banco Central do Canadá anunciou que manteve a taxa de juros básica inalterada em 1,75%, mínima histórica.

Nos EUA, o índice de atividade industrial do Fed de Richmond observou alta em maio para cinco pontos, de anterior em três pontos. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de0,39%, com o barril cotado a US$ 58,91, com temor de desaceleração da economia global. O euro era transacionado em queda para US$ 1,113 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 2,23%, em nova e forte queda.

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No cenário local, o IBGE divulgou o Índice Preço do Produtor (IPP) de abril em alta de 1,27% e alta no ano de 2,57%. Em 12 meses, a alta chega a 8,61%. O BC anunciou que o estoque total de crédito atingiu em abril R$ 3,27 trilhões, significando 47,0% do PIB. As concessões de crédito livre cresceram 2,1% no mês. A inadimplência no crédito livre caiu para 3,8% (anterior em 3,9%) e na pessoa física foi de 4,7%. O crédito nas empresas encolheu 1,0% e o endividamento das famílias ficou em 43,3%.

O Tesouro Nacional anunciou superávit do governo central de R$ 6,5 bilhões em abril, menor que o previsto e sazonal, mas no ano mostra déficit de R$ 2,75 bilhões. A receita do governo central cresceu real 0,7% e as despesas declinaram real 0,8%. O déficit do INSS e servidores atingiu em doze meses R$ 297 bilhões, mas o déficit no quadrimestre foi 40% menor que em igual período de 2018. O secretário do Tesouro, Mansueto de Almeida, declarou que o déficit da Previdência praticamente anula todo o esforço fiscal conseguido em outras áreas, e que a queda de arrecadação é um grande limitador, esperando melhora nos próximos meses.

O BC mostrou o fluxo cambial até 24 de maio de US$ 1,6 bilhão, e no ano superávit de US$ 4,4 bilhões. As perdas com swap até essa data estavam em R$ 7,1 bilhões. No mercado, dia de DIs em queda para os principais vencimentos e o dólar fechando com -1,18% e cotado a R$ 3,976. Na Bovespa, na sessão de 27 de maio, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 409,8 milhões, mas com saídas liquidas em maio de R$ 4,78 bilhões. No ano, temos saídas de R$ 4,28 bilhões.

No ambiente político, tivemos declarações do ministro Paulo Guedes dizendo que o país possui agenda mais visível com reformas da Previdência e Tributária, que estamos atrasados na modernização das estruturas e que pensam no longo prazo. Mas será preciso dar choques de curto prazo. Comentou as confusões da verba suplementar de R$ 248 bilhões pleiteada pelo governo para não ferir a regra de ouro. O presidente do BC deu declarações também, dizendo que em 3 de junho anunciará iniciativas para o mercado de capitais e setor imobiliário. Não quis adiantar muita coisa.

No mercado acionário, dia de Bolsa de Londres em queda de 1,15%, Paris com -1,70% e Frankfurt com -1,75%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 1,21% e 1,29%. No mercado americano, o Dow Jones com -0,88% e Nasdaq com -0,79%. Na Bovespa, dia de alta de 0,18% e índice em 96.566 pontos, tendo virado para negativo na última hora antes do encerramento e voltado para positivo no call de encerramento.

Na agenda desta quinta, teremos a divulgação do PIB referente ao primeiro trimestre de 2019, com possibilidade de ser negativo em 0,1%. Sairá a inflação pelo IGP-M de maio, estimada em 0,56%.

Nos EUA, teremos nova leitura do PIB do trimestre, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, o saldo da balança comercial de abril e vendas pendentes de imóveis de abril.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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