O dia foi de divulgação do PIB do primeiro trimestre da economia brasileira e também a segunda leitura do PIB americano. Os investidores tiveram que ajustar expectativas, principalmente no que tange ao comportamento da taxa de juros. Nos EUA, tivemos o achatamento da curva de juros, por muitos interpretada como inversão, o que significa a possibilidade de recessão. No Brasil, PIB fraco e leitura que o BC pode reduzir juros.
Nos EUA, o dirigente do Fed, Clarida, declarou que a persistência da fraqueza na inflação pode redundar em redução dos juros básicos americano. Disse olhar no comportamento da curva de juros e diagnosticou a inflação como abaixo do previsto. A segunda leitura do PIB do primeiro trimestre, mostrou a economia girando em 3,1% anualizada, quando o previsto era 3,0%.
Sobre as negociações entre EUA e China, Trump disse que os chineses adorariam fechar acordo rápido, mas enquanto isso os EUA estão ganhando milhões de dólares em tarifação adicional. Em compensação, a imprensa dá conta que os chineses interromperam importações de soja de produtores americanos. Existe ainda a ameaça de reduzir exportações de terras raras.
Ainda nos EUA, a inflação medida pelos gastos com consumo (PCE) anualizada para o primeiro trimestre ficou em 0,4%, com núcleo em 1,0%. Na sequência dos mercados no exterior, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava forte queda de 4,11%, mudando tendência rapidamente próximo do fechamento. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,13 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 2,23. O ouro e a prata mudaram bruscamente para altas na Comex e commodities agrícolas majoritariamente em altas na Bolsa de Chicago.
No cenário local, o PIB do primeiro trimestre veio exatamente dentro do esperado em contração de 0,2%, prejudicado pelo comportamento fraco da indústria e sendo parcialmente salvo pelo segmento de serviços. Associado com consumo das famílias em alta. A taxa de investimento ficou em 15,5% e a formação bruta de capital fixo encolheu 1,7% no trimestre. Estamos 5,3% abaixo do pico do primeiro trimestre de 2014.
O PIB fraco permitiu leitura que o BC pode reduzir juros já na próxima reunião, mas não seria de grande serventia para alavancar a economia. Paulo Guedes disse que já era esperado e que o Brasil deveria crescer na razão de 3,0% | 3,5% se ajustem já tivessem sido feitos. Guedes acrescentou que o Brasil é hostil com investidores e previu a divulgação de muitas medidas nas próximas três semanas.
Mesmo considerando as previsões dos analistas sobre crescimento, estas mesmas previsão podem alteradas novamente para pior. Se as reformas demorarem a sair o crescimento pode ser inferior a 1,0%. No mercado, os DIs tiveram dia de queda para os principais vencimentos e o dólar com +0,06% e cotado no fechamento em R$ 3,98. Na Bovespa, na sessão de 28 de maio, os investidores estrangeiros retiraram R$ 448,5 milhões, deixando a saída líquida de maio em 5,2 bilhões e o ano com fluxo negativo de R$ 4,7 bilhões.
No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,49%, Paris com +0,48% e Frankfurt com +0,54%. Madri em alta de 0,84% e Milão com queda de 0,36%, por conta de declarações do vice primeiro ministro, Salvini, de romper com o movimento Cinco Estrelas. Nos EUA, o Dow Jones com +0,18% e Nasdaq com +0,27%. Na Bovespa, dia de alta de 0,92% e índice em 97.457, pontos, arrefecendo um pouco no fechamento.
Na agenda desta sexta, o IBGE anuncia dados da PNAD contínua com a taxa de desemprego e o BC a nota de política fiscal de abril. Nos EUA, dados do deflator de preços PCE de abril e renda e gasto pessoal. Além de confiança do consumidor de Michigan de maio.
Boa noite e até amanhã.
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Alvaro Bandeira
Economista-chefe do Banco Digital Modalmais














