Retroagindo a semana passada, a Bovespa registrou alta acumulada de 3,63% e dólar caiu forte, apesar de estar em alta no mercado internacional. Já o mercado americano e principais Bolsas da Europa tiveram comportamento de queda. Com isso queremos ilustrar que a Bovespa saiu na frente na recuperação e os mercados no exterior trabalharam com grande pessimismo diante das incertezas então reinantes.
Melhor ilustração da situação atual fica com as palavras de Charles Evans do Fed de Chicago hoje, quando disse que “o momento é difícil para perspectiva de longo prazo diante das incertezas. Veio a semana em curso e junto a percepção de que tanto o Fed como o BCE (BC europeu) podem flexibilizar a política monetária e agir na redução dos juros, já em junho (Fed). Isso fez com que os mercados no exterior reagissem e as Bolsas chegaram a fazer minis ralis.
Aqui, em que pese o Congresso seguir discutindo e votando matérias importantes para o governo, inclusive na estranha segunda-feira, tivemos alguns curtos circuitos com Bolsonaro apresentando projetos sem grande apelo para o momento (CNH) e deixando de forçar carga na votação de verba suplementar de grande relevância para não travar projetos. A votação ficou para a próxima terça-feira na CMO e aprovação complicada dos R$ 448 bilhões.
Tudo isso explica o comportamento desequilibrado entre os mercados.
Hoje a Itália está diante de grande conturbação em seu governo, com ameaça de renúncia do primeiro-ministro Giuseppe Conte e explicação do déficit para a União Europeia, com possibilidade de ser punida e multada por isso. Os indicadores de atividade de serviços também vieram conflitantes na Europa.
Nós EUA, o PMI americano em queda para 50,9 pontos e a criação de vagas no segmento privado de maio (ADP) foi somente de 27 mil posições, de previsão de 173 mil. Os dados do Livro bege da economia americana mostraram comportamento moderado para preços, gastos dos consumidores e expansão da atividade; mas as perspectivas para os próximos meses são solidamente positivas.
No mercado internacional mais confusão. Os estoques de petróleo na semana anterior cresceram 6,8 milhões de barris, de previsão de queda de 1,3 milhão. Com isso, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 2,45%, com o barril cotado a US$ 52,17.
O euro era transacionado em queda para 1,123, de alta no início da manhã. Os notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 2,12%. O ouro e a prata em altas na Comex e commodities agrícolas com preços em queda na Bolsa de Chicago.
Aqui, no âmbito político, como dissemos, a votação de verba suplementar foi adiada com reclamação de baixo empenho da base de apoio, e o prazo de entrega do relatório da Previdência com prazo mantido para o final da semana ou início da próxima.
O BC mostrou o índice IC-Br das commodities em queda de 1,98% em maio e o fluxo cambial foi positivo em US$ 346 milhões e no ano também positivo em US$ 3,16 bilhões. A base monetária encolheu na ponta 1,2% em maio e as instituições financeiras viraram o mês vendidas em câmbio em US$ 22,1 bilhões.
O STF vota nesse momento se será preciso aval do Congresso para alienação de controle de empresas do governo. Isso afetada diretamente a Petrobras com a venda da TAG e alienação de refinarias. Os votos estão sendo longos, mas existem boas chances de Petrobras sair vencedora.
No mercado dia de DIs em alta de juros para os principais vencimentos. Dólar oscilou entre positivo e negativo para fechar com +0,99% e cotado a R$ 3,895.
No mercado acionário o rali de ontem das Bolsas americanas ajudaram no comportamento de alta da Europa, com Londres subindo 0,08%, Paris com +0,45% e Frankfurt com +0,08%. Madri em alta de 0,36% e Milão com -0,36%, por conta dos problemas da Itália. Nos EUA dia de alta do Dow Jones de 0,82% e Nasdaq com +0,64%.
Na Bovespa mercados em queda de 1,42% e índice em 95998 pontos.
Na agenda de amanhã teremos a produtividade do trabalho no primeiro trimestre dos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego o saldo da balança comercial de abril e discursos de dirigentes do Fed. Aqui a produção de veículos em maio pela Anfavea.
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Alvaro Bandeira
Economista-chefe do Banco Digital Modalmais














