Modus operandis

O veto do presidente FH à correção da tabela do Imposto de Renda em 17,5%, que será confirmada pela edição de uma medida provisória, revela outra faceta deste governo: a de mau perdedor, que tenta apresentar como concessão sua o que foi aprovado contra sua vontade pelo Congresso. Essa é a interpretação mais favorável. Pior que isso seria acreditar que, somente aos 45 minutos do segundo tempo, o governo teria descoberto a possibilidade de um fantástico rombo de R$ 100 bilhões – cerca de 10% do PIB do país – caso a correção da tabela fosse estendidas às pessoas jurídicas.

Lotado
Na esteira da alta do dólar (problema reduzido no final de 2001) e dos atentados contra os EUA em setembro, o turismo interno brasileiro se fortalece. Os hotéis administrados pela Accor no Rio de Janeiro e Nordeste estão lotados até o Carnaval. Ao todo, nesta alta temporada, os hotéis da cadeia em todo o Brasil estão registrando aumento de 20% na ocupação em relação ao mesmo período do ano passado. Na região Sul, onde os hotéis são dirigidos ao turismo de negócios, apesar da crise argentina não foi registrada retração até o momento. Segundo estimativa da Embratur, do começo de 2001 até o Carnaval de 2002, 50 milhões de turistas brasileiros terão viajado pelo país, 5 milhões a mais do que o previsto antes dos atentados terroristas. A empresa prevê também que 5,38 milhões de estrangeiros visitarão o Brasil nesse período, 40,4% deles com a família, passando, em média, uma semana no país.

À vista
Donos de automóveis no Rio de Janeiro não devem perder a oportunidade – se tiverem dinheiro aplicado – de pagar o IPVA à vista com desconto de 10%. Se parcelado, nenhuma aplicação consegue, em dois meses (a primeira parcela é paga à vista), tamanha remuneração – salvo nova arremetida do dólar. Tamanha generosidade do Governo do Estado tem explicação: o dinheiro que entrar no caixa agora ainda tem chance de ser usado pelo governador Anthony Garotinho antes de deixar o cargo para concorrer à Presidência. Para a vice Benedita, que assumirá o cargo, sobrarão os caraminguás de quem parcelar o imposto.

Inimigos
Estão prontos os cartazes com fotos dos deputados do estado do Rio de Janeiro que votaram com o governo no projeto que muda a CLT. O trabalho foi feito pela CUT-RJ e será distribuído aos sindicatos filiados à central, que se encarregarão de reproduzir e colar o cartaz.

Piratas?
Empresas vêm oferecendo ao setor corporativo serviços de telecomunicação de longa distância internacional. Prometem preços inferiores aos da Embratel e Intelig e apresentam tabela em dólares. Garantem que o serviço é legalizado. Consultada, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) respondeu laconicamente que o encaminhamento de chamadas telefônicas internacionais só pode ser feito por empresa operadora de STFC (telefonia fixa, mas a burocracia adora uma sigla) de longa distância, Embratel e  Intelig.

Blefe
O anúncio de que as empresas de telefonia vão criar um cadastro único de inadimplentes confirma notícia publicada pelo MONITOR MERCANTIL de que a ameaça feita pelas companhias – especialmente a Embratel – de colocar os nomes dos devedores no SPC não passava de ameaça infundada, engolida por uma parte da imprensa pouco acostumada a apurar fatos. A reportagem do MM procurou, na ocasião, o Clube dos Diretores Lojistas do Rio, que descartou a possibilidade de incluir no SPC os inadimplentes do setor de telefonia.

Fervor
Quem ouve o ministro Pedro Malan invocar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para rebater qualquer reivindicação de DNA não financeiro não tem mais a menor dúvida: Malan é o mulá-mor do tucanato e a LFR é a sua bíblia.

Paternidade
Sem tirar a responsabilidade de Fernando de la Rúa – que além de desrespeitar os votos que obteve foi incompetente e até ingênuo – esta coluna tem um lembrete para os recém convertidos críticos à paridade argentina: os responsáveis (internos) pelo desastre no país vizinho são Menen e Cavallo – não necessariamente nessa ordem.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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