O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que, conforme decidido na cúpula do ano passado, em Kazan, Rússia, os ministros da Economia e chefes dos bancos centrais dos países do Brics seguem com a tarefa de estabelecer sistemas de pagamento independentes.
“No comércio entre os membros do Brics, as moedas nacionais já representam mais de 65%. Da parte em dólares, essa diminuiu para um terço”, afirmou Lavrov em resposta a uma questão da Sputnik Brasil feita em coletiva de imprensa em que o ministro russo comentou os resultados da 17ª reunião de chanceleres do bloco, que ocorreu nesta segunda e terça-feira. Esse é o último encontro a nível ministerial antes da cúpula de chefes de Estado, nos dias 6 e 7 de julho.
Lavrov incluiu “o estudo de questões como o estabelecimento de um sistema de pagamento transfronteiriço, de um sistema eletrônico de interação em depósitos interfinanceiros, que se chama Brics Clear, e, em geral, a formação de um mecanismo único para o intercâmbio de informações comerciais e econômicas”.
Os esforços de desdolarização foram amplamente criticados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde que assumiu o comando da Casa Branca, em janeiro. Trump ameaçou os países do Brics com grandes tarifas caso sigam por esse caminho.
Sobre as sanções e tarifas norte-americanas, o chanceler russo defendeu que a Organização Mundial do Comércio (OMC) deve permanecer no centro do sistema de comércio mundial, assim como deve se adaptar às novas realidades.
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Perguntado sobre a possibilidade de o Brics criar seu próprio organismo judicial internacional, correlato ao Tribunal Penal Internacional (TPI), Sergei Lavrov afirmou que as nações do grupo aventaram a possibilidade, mas preferiram advogar por mecanismos internacionais “baseados em um forte consenso dos Estados-membros”.
A estrutura do TPI, afirmou, “é manipulada pelos países ocidentais”. “Alguns Estados que cometem abertamente atos que violam o direito internacional humanitário são isentos de ataques, enquanto medidas punitivas são introduzidas de forma tendenciosa a outros países, sem se basear em fatos específicos, incluindo os chamados mandados de prisão.”
A primeira Reunião de Chanceleres do Brics após a expansão do grupo terminou nesta terça-feira com a divulgação da Declaração da Presidência Brasileira. O texto de 62 parágrafos reflete a maturação dos temas prioritários em discussão no grupo, resultado de duas reuniões de Sherpas, em fevereiro e na semana passada. O documento servirá de subsídio para a Declaração de Líderes, a ser debatida na Cúpula, que acontece dos dias 6 e 7 de julho, que também terá por palco a capital fluminense.
“Debatemos o papel do Sul Global na promoção de um multilateralismo. Essa visão reflete a convicção de que os desafios globais da fome, da transição energética, da exclusão digital e da emergência climática não serão superados sem uma nova arquitetura de cooperação internacional centrada na solidariedade, no desenvolvimento e na paz”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Mauro Vieira, que coordenou os trabalhos.
A Declaração da Presidência é fruto do esforço entre as autoridades máximas da diplomacia dos países do grupo. Etiópia e Egito fizeram objeção a partes do parágrafo 8.
Com informações da Sputnik Brasil e do Brics Br
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