Momento de escolha

Por Ranulfo Vidigal.

Opinião / 16:30 - 9 de set de 2020

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O lugar onde a gente mora determina muito sobre o que nossa vida é. Por outro lado, revela principalmente o que pode vir a ser. Daí que na qualidade de pagadores de caríssimos impostos que somos e donos legítimos de nossas cidades, não podemos, e nem devemos, nos satisfazer com o pouco que ela, às vezes nos reserva. Merecemos sempre mais, pois vem de nós a riqueza que circula nas comunidades, cidades e países.

As necessidades concretas dos bairros populares saltam aos olhos diante da crise sanitária provocada pela pandemia. Daí que levar renda básica, alimentação, produtos de limpeza – pessoal e doméstica – e água para bairros de baixa renda e alta densidade populacional revela-se uma prioridade máxima no tempo presente.

O problema da moradia digna também ganha destaque na agenda da sociedade. O que obriga os gestores municipais a pôr em prática uma política social para os aluguéis. A maior parte do déficit habitacional atual se deve ao ônus excessivo da renda familiar (nos últimos meses em queda livre) com os gastos com aluguéis muito caros, o que exige uma regulação pública inteligente e adequada, em relação ao capital imobiliário que gera receitas com impostos (IPTU e ITBI).

Outra questão refere-se à mobilidade urbana: muitos municípios estão reduzindo a frota e horários de transporte dificultando a mobilidade dos trabalhadores dos serviços essenciais ou determinando adensamento do transporte nas viagens diárias. Isso vai em direção contrária às medidas emergenciais. A ANTP – Associação Nacional de Transporte Coletivo – e outras entidades, como sindicatos de metroviários, já fizeram propostas a respeito do serviço de transporte coletivo.

Outra política urgente é a de abastecimento alimentar e apoio ao pequeno produtor. A alta recente do dólar, a demanda chinesa voltando com força e a necessidade de manter o isolamento para superar a pandemia explicam a alta acelerada nos preços de produtos de primeira necessidade na mesa do brasileiro comum. Segundo a FGV, os preços no atacado dos produtos agropecuários subiram quase 18% este ano, e os alimentos encareceram 6% para o consumidor final, enquanto a renda das famílias, mesmo com o auxílio emergencial, caiu, contendo os gastos totais das famílias.

Resumo da ópera, são grandes os desafios dos novos dirigentes que chegam em novembro próximo e enormes as expectativas da população.

Ranulfo Vidigal

Economista.

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