Momento de reflexão no turismo municipal

Por Bayard Do Coutto Boiteux.

Opinião / 16:09 - 20 de mai de 2020

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O confinamento tem nos mostrado que regras muito fixas, modelos genéricos, não parecem ser a resposta para a estruturação do turismo municipal. É preciso uma nova forma integrada de viabilizar nossa atividade na sua principal célula que é o município.

Penso aqui na formulação do plano municipal de turismo. Ele é o instrumento institucional baseado nas vocações e acoplado a um plano de ação viável, unindo toda a cadeia produtiva, desde o artesão, ao pequeno comerciante, aos atrativos naturais e culturais quando existentes, aos meios de hospedagem, gastronomia, empresas organizadoras de eventos, guias de turismo, para citar alguns exemplos.

O plano será o primeiro passo amplamente discutido e que criará um exército de interessados em viabilizar o turismo, se forem ouvidos e suas demandas tratadas. Não somos nada sozinhos, nossa força individual se torna muito maior se estiver presente num trabalho em grupo com uma administração participativa.

É tempo de ouvir e de encontrar novos talentos escondidos que podem trazer insumos vitais. É o momento de juntar anseios da juventude com a experiência dos mais experimentados e criar uma força nova vinda da solidariedade e de gestão participativa onde em vez de se delegar vai se administrar em conjunto com amor e entendimento da diversidade dos diversos colaboradores.

Tempo de rever valores enraizados de pura hierarquia funcional com tanta pressão que as pessoas ficam doentes e trabalham para sobreviver e não ter prazer. Os municípios precisam aproveitar o atual momento para uma reflexão sobre o futuro do turismo e buscar caminhos integrados inclusive por região para reduzir custos e viabilizar ações. Dentro dos estados, devem ser considerados não concorrentes, mas complementários.

Tudo isso não pode ficar em documentos e estudos, mas tem que ser colocado em prática numa visão de curto e médio prazo para que o trade turístico sinta respostas para seu trabalho. Não há muita coisa para se descobrir, os estudos já estão prontos em várias esferas e em entidades como o Sebrae, o Senac, o mundo acadêmico, as entidades de classe para de uma vez por todas sair para o abraço e não ficar em planejamento continuo.

Conselhos municipais de turismo com autonomia e voz ativa serão instrumentos de integração de toda a cadeia num clamor único de colocar em prática o plano municipal de turismo, sem ideias extraterrestres, mas dentro do orçamento disponível, com o entendimento da relevância do turismo para a economia local. São algumas considerações para reflexão e que daqui nasçam mais ideias e criem um brainstorming local.

Bayard Do Coutto Boiteux

Professor, escritor, pesquisador, trabalha voluntariamente no Instituto Preservale e na Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ.

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