Monitor do PIB: alta de 0,6% na atividade econômica em julho

Consumo das famílias cresceu; resultado foi influenciado, principalmente, pelo crescimento de serviços: 10,3%.

O Monitor do PIB-FGV aponta, na análise da série dessazonalizada, crescimento de 0,6% na atividade econômica em julho, em comparação a junho e crescimento de 0,3% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao findo em abril. Na comparação interanual, a economia cresceu 6,6% em julho e 9,6% no trimestre móvel findo em julho.

Os resultados mostram que, caso os fatores sazonais da série do PIB utilizados sejam aqueles do período de 2000 até 2019, a taxa de variação em julho de 2021 seria de 1,7%, superior à de 0,6% observada considerando todo o período de 2000 até julho de 2021. Esses resultados sugerem que as taxas ajustadas sazonalmente devem ser analisadas com cautela pois a pandemia pode ter influenciado os fatores sazonais não apenas por razões econômicas como também estatísticas.

O consumo das famílias cresceu 9,5% no trimestre móvel findo em julho em comparação ao mesmo período do ano passado. Esse resultado foi influenciado, principalmente, pelo crescimento de serviços (10,3%). Na série com ajuste sazonal o consumo das famílias cresceu 2,1% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao findo em abril. Já a formação bruta de capital fixo (FBCF) cresceu 23,5% no trimestre móvel findo em julho em comparação ao mesmo período do ano passado. Todos os componentes mantêm trajetória de crescimento. No entanto, na análise da série dessazonalizada a formação bruta de capital fixo apresentou retração (3,9%) no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao findo em abril.

A exportação apresentou crescimento de 3,8% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao mesmo período do ano passado. Apenas os componentes da agropecuária e da extrativa mineral não apresentaram crescimento. Cabe destacar que o componente de serviços apresentou crescimento (25,1%) pelo quarto mês consecutivo.

A importação apresentou crescimento significativo de 32,1% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao mesmo período do ano passado. Todos os componentes da importação apresentaram crescimento. O destaque fica para bens intermediários com crescimento de 43% influenciado pela demanda da indústria.

Em termos monetários, estima-se que o PIB no acumulado do ano até julho de 2021, em valores correntes, foi de R$ 4.946.291 milhões.

A taxa de investimento em julho de 2021 foi de 17,4%, na série a valores correntes. Este resultado apresenta uma taxa de investimento abaixo da taxa de investimento média mensal considerando o período desde 2000.

Para Fábio de Salles Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), alerta ser preocupante a queda de 2,8% do PIB agropecuário brasileiro no segundo trimestre de 2021, em relação aos três meses imediatamente anteriores, anunciada no último dia 1º, pelo IBGE. “Considerando o significado do setor para a economia nacional, balança comercial, abastecimento do mercado interno, geração de emprego e renda, é necessário adotar medidas capazes de evitar danos maiores à atividade, que também foi fortemente atingida pelo frio intenso e as geadas, no terceiro trimestre”, enfatiza.

Meirelles lembra que o Plano Safra 2021/2022, lançado pelo Governo Federal em 22 de junho último, prevê aporte de R$ 251,2 bilhões, apenas 6,3% a mais do que no ano-safra anterior. “Precisaria ser um pouco maior, se levarmos em conta a inflação do período e a depreciação do real ante o dólar, que encareceu bastante os insumos importados”.

Já estudo divulgado na última quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que a proteção tarifária concedida aos produtores brasileiros alcançou o valor de R$ 171,2 bilhões em 2018, o equivalente a 2,44% do PIB. Embora este valor seja superior ao registrado em 2017 (R$ 169,1 bilhões), em termos de percentual do PIB, houve uma pequena redução na comparação ao verificado no ano passado (2,46%).

Conforme verificado nos anos anteriores, a indústria de transformação foi novamente o segmento mais beneficiado, contando com R$ 166 bilhões em assistência tarifária efetiva, que mede o sobrepreço repassado ao mercado doméstico. A agropecuária recebeu assistência de R$ 7,9 bilhões em 2018 (0,11% do PIB), abaixo dos R$ 11,1 bilhões do ano anterior, que havia sido o recorde da série histórica. A indústria extrativa, por sua vez, teve assistência efetiva negativa de R$ 2,9 bilhões.

O estudo calculou ainda o indicador de assistência efetiva que representa uma proporção do valor adicionado de cada setor, considerando-se o chamado valor adicionado de livre-comércio, que ocorreria caso não houvesse a incidência de tarifas de importação sobre os produtos finais e os insumos.

Em relação a este indicador, a assistência efetiva provida aos produtores de bens agropecuários e industriais representou 16,0% do valor adicionado de livre comércio destes setores em 2018, ficando virtualmente estável em relação ao ano anterior (16,1%). Contudo, ao se considerar o indicador especificamente na indústria de transformação, houve salto de 26,7%, em 2017, para 30,2%, em 2018, sendo este o maior percentual do indicador registrado nos últimos quatro anos, o que confirma a tendência de alta da proteção tarifária aplicada ao segmento.

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