Monitor do PIB aponta alta de 7,5% na atividade econômica no 3º tri

Na comparação interanual, a economia apresentou queda de 4,4% no terceiro trimestre e de 2,3% em setembro.

Opinião do Analista / 13:36 - 19 de nov de 2020

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O Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 7,5%, na atividade econômica no terceiro trimestre, em comparação ao segundo, e crescimento de 1,1% em setembro, em comparação a agosto. Na comparação interanual, a economia apresentou queda de 4,4% no terceiro trimestre e de 2,3% em setembro.

Neste número, no Apêndice 1, chama-se a atenção que a taxa de crescimento do PIB de 2018 foi revista para cima (1,8%) pelo IBGE e que o Monitor do PIB estima que a taxa de crescimento do PIB em 2019 na próxima divulgação das CNT será revisada de 1,1% para 1,6%. Todas as análises deste número são feitas incorporando estas alterações.

"O forte crescimento de 7,5% da economia brasileira no 3º trimestre, reverte, em parte, a forte retração de 9,7% registrada no 2º trimestre deste ano, em função da chegada da pandemia de Covid-19 ao Brasil, a partir de março. No entanto, este crescimento não é suficiente para recuperar o nível de atividade econômica que ainda se encontra 5% abaixo do observado no 4º trimestre do ano passado. Apesar da recuperação disseminada entre as atividades econômicas, nota-se que o setor de serviços ainda apresenta grande resistência à recuperação com grande influência das atividades de administração pública e de outros serviços. Mesmo com a flexibilização das medidas de isolamento e pequena melhora marginal dos setores de alojamento, alimentação, serviços prestados às famílias, educação e saúde, o crescimento observado ainda é muito pouco em comparação a deterioração, causada pela pandemia, observada nestes segmentos. A elevada incerteza quanto ao futuro da pandemia tem inibido a recuperação mais robusta do setor de serviços, que é a atividade mais relevante da economia brasileira", afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

A economia cresceu 7,5% no terceiro trimestre, em comparação com o segundo. À exceção da agropecuária, que não foi impactada diretamente pela pandemia, todas as demais atividades apresentaram crescimento nesta comparação, tendo em vista que o resultado do segundo trimestre havia sido muito negativo para grande parte dos setores. Pela ótica da demanda, foram registradas retrações tanto na exportação quanto na importação, embora a retração deste último tenha sido muito mais expressiva (-8,8%).

Em setembro, a economia apresentou seu quinto mês de crescimento consecutivo, na comparação contra o mês imediatamente anterior. O crescimento de 1,1% deve-se ao desempenho da indústria e de serviços, pela ótica da oferta, e do consumo das famílias e da formação bruta de capital fixo, pela ótica da demanda. Na comparação interanual, a queda de 2,3% é explicada principalmente pela retração dos serviços e da agropecuária (-4,0% e -3,5%, respectivamente), tendo em vista que a indústria voltou a crescer (2,2%) após seis meses de quedas consecutivas.

Análise desagregada dos componentes da demanda

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita na série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente, permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes. No entanto, como as medidas de isolamento social em decorrência da pandemia de Covid-19 iniciaram-se em meados do mês de março, tendo significativos impactos na economia, durante o ano de 2020, após a usual apresentação da composição da taxa trimestral é apresentada, também, a desagregação da taxa mensal interanual destes componentes.

Consumo das famílias

O consumo das famílias retraiu 5,1% no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. Apesar de negativo, este resultado mostra continuidade da tendência ascendente em relação a queda de 13,2% registrada no segundo trimestre. O consumo de bens apresenta recuperação mais evidente com crescimento no consumo de produtos não duráveis (1%) e de duráveis (0,9%), a despeito da retração de 13,7% do consumo de semiduráveis. O consumo de serviços, embora esteja com taxas menos negativas desde o resultado do segundo trimestre, ainda apresenta a recuperação mais lenta do consumo, tendo recuado 8,7%, no terceiro trimestre.

Na análise mensal interanual, nota-se que o consumo de produtos duráveis foi o que apresentou o maior crescimento do consumo em setembro, tendo sido impulsionado, principalmente, pelo consumo de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção. Em contrapartida, a maior retração do consumo foi devida ao consumo de serviços, sendo explicada, principalmente, pelas quedas do consumo de alojamento, alimentação, saúde privada e demais serviços prestados as famílias.

Formação bruta de capital fixo (FBCF)

A FBCF retraiu 2,2% no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. O único componente ainda apresentando retração nesta comparação é o de máquinas e equipamentos (-8,2), embora esta queda esteja sendo cada vez menor desde a retração de 29,3% no segundo trimestre. As quedas nos segmentos de automóveis, camionetas, caminhões e ônibus permanecem sendo as principais responsáveis pelo recuo do componente de máquinas e equipamentos e, consequentemente, da FBCF total.

Na comparação interanual, observa-se que todos os componentes da FBCF apresentaram crescimento em setembro. O componente de máquinas e equipamentos, embora ainda esteja negativo na variação trimestral interanual, apresentou o maior crescimento mensal dentre os componentes da FBCF com variação de +7,9%.

Exportação

A exportação de bens e serviços cresceu 1,7% no terceiro trimestre, em comparação ao terceiro trimestre de 2019. Os principais destaques positivos são o crescimento da exportação de produtos agropecuários (15,9%), da extrativa mineral (16%) e de bens de consumo (19,2%). Os principais destaques negativos são as exportações de bens de capital e de serviços que seguem com ampliação das fortes retrações (-37,1% e -26,2%, respectivamente).

O volume total exportado de bens e serviços recuou 6,1% em decorrência das retrações dos bens de capital, serviços e bens intermediários. O maior crescimento foi na exportação de bens de consumo (14,6%), devido ao consumo de não duráveis que cresceu 22,5%, em setembro.

Importação

A importação retraiu 24,4% no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. O mostra a trajetória declinante da importação desde o trimestre findo em abril deste ano com queda em praticamente todos os seus componentes no terceiro trimestre. A única exceção é a importação de produtos agropecuários que cresceu 8,5%. As fortes quedas de bens intermediários (-17,6%) e dos serviços (-32,2%) explicam a maior parte desta retração, embora os bens intermediários estejam com queda menor no terceiro trimestre que as registradas anteriormente enquanto a importação de serviços continua em desaceleração.

Conforme apresentado no Gráfico 10 do Press Release, todos os segmentos da importação apresentaram retração em setembro na comparação interanual, sendo o recuo da importação de bens de capital, dos produtos da extrativa mineral e o de serviços os mais expressivos.

Monitor do PIB-FGV em valores

Em termos monetários, o PIB em valores correntes foi de aproximadamente 5 trilhões, 582 bilhões e 643 milhões de Reais no acumulado do ano até o terceiro trimestre.

Taxa de investimento

Destaca-se em duas linhas as médias das taxas de investimento: a de cima mostra a média das taxas de investimento mensais desde o primeiro trimestre de 2000 (17,9%); a linha de baixo mostra a média das taxas de investimento mensais desde o 1º trimestre de 2015 (15,6%). Observa-se que a taxa de investimento no terceiro trimestre foi de 16,4%, na série a valores correntes. Apesar de estar acima da taxa de investimentos média de 2015 em diante e de apresentar expressiva melhora com relação a taxa de investimentos do segundo trimestre, o atual nível da taxa de investimentos ainda se encontra abaixo da taxa de investimentos média da economia brasileira desde 2000.

Análise especial das atividades de saúde pública e privada

A chegada da pandemia de Covid-19 no Brasil, com a adoção das recomendações de isolamento social, tem impactos diretos e indiretos na economia, afetando, praticamente, todas as atividades econômicas. Ao longo de 2020, tem sido apresentada seção especial do Monitor do PIB-FGV com o intuito de retratar como duas das principais atividades econômicas diretamente afetadas pela Covid-19 (saúde pública e privada) têm sido impactadas pelo avanço da pandemia no país. No entanto, devido à não divulgação das informações de setembro do DataSUS que são utilizadas no cálculo desta seção especial, nesta edição não será analisada a saúde pública e privada.

As revisões da série das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE e o Monitor do PIB-FGV

Os resultados do 3º trimestre nas estimativas do Monitor do PIB-FGV são calculados de maneira diferente das demais divulgações do indicador. Isso se deve à divulgação, em novembro, do Sistema de Contas Nacionais (SCN) de 2018. Tal divulgação revê as informações oficiais do PIB de 2018, que eram, até então conhecidas pelas Contas Nacionais Trimestrais (CNT). E, a revisão feita pelo IBGE para o ano de 2018 foi excepcionalmente mais elevada do que o usual. O PIB de 2018 cresceu 1,8% ao invés do que os 1,3% que as CNT haviam previsto anteriormente.

No dia 3 de dezembro, o IBGE divulgará o resultado do 3º trimestre de 2020 nas CNT e, além de incorporar os resultados anuais atualizados recém divulgados do PIB de 2018, e sua dinâmica trimestral, irá fazer a revisão do crescimento de 2019 e de todos os valores trimestrais posteriores. Para antecipar essas alterações, a despeito das limitações deste exercício, o Monitor do PIB-FGV estima que a taxa de crescimento do PIB de 2019 será revista para cima (de 1,1% para 1,6%), e estima também novos resultados trimestrais para 2019 e para os dois primeiros trimestres de 2020. Assim procedendo, chama-se a atenção que além da elevação da taxa de variação do PIB de 2019, estimado pelo Monitor do PIB-FGV, foram também reestimadas as taxas de variações trimestrais a partir do 1º trimestre de 2018.

Apêndice 2 - Nota Explicativa

O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume e em valor. O objetivo de sua criação foi prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE. Sua série inicia-se em 2000 e incorpora todas as informações disponíveis das Contas Nacionais (Tabelas de Recursos e Usos, até 2018, último ano de divulgação) bem como as informações das Contas Nacionais Trimestrais, até o último trimestre divulgado (segundo trimestre de 2020).

O indicador é ajustado as Contas Nacionais Trimestrais sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, das Contas Nacionais Trimestrais. Nos trimestres calendário, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda. Para o ajuste sazonal mensal é utilizado o modelo mensal do IBC-Br, do Banco Central; para os trimestres móveis utiliza-se uma média desses ajustes mensais.

Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem os resultados das Contas Nacionais Trimestrais nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes.

O Monitor do PIB-FGV compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações de volume, em valores correntes, e a preços de 1995 das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Apresenta, ainda, o Valor Adicionado a preços básicos, os impostos sobre os produtos e o PIB e também os componentes do PIB pela ótica da demanda. Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa. As desagregações disponibilizadas pelo Monitor são:

Consumo das Famílias: bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente eles são classificados em nacionais e importados;

Formação Bruta de Capital Fixo: em máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados;

Exportações e Importações: em produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis), produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.

São divulgadas as séries de base móvel, séries encadeadas, séries encadeadas dessazonalizadas, as taxas mensais, trimestrais e anuais comparadas a igual período do ano anterior e as taxas mensais e trimestrais comparadas a período imediatamente anterior, e os valores nominais correntes e a preços de 1995.

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