Monotemático

Sob fogo cruzado dos porta-vozes do mercado financeiro na imprensa tupiniquim, por ter ousado baixar a taxa básica de juros (Selic), em 0,5 ponto, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, negou que o BC tenha também o crescimento da economia como meta. Segundo ele, o combate à inflação seria a única razão de existir da instituição. Fez mal. Como qualquer economista iniciante sabe, o BC brasileiro é um decalque do seu similar Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos. E este, como pode conferir qualquer um que leia as atas do Fomc – que também inspirou e batizou o Comitê de Política Monetária (Copom) – persegue o duplo objetivo de manter a economia estadunidense em crescimento e combater a inflação. Assim, se é para copiar, que se importe também o compromisso do BC com o crescimento.

Dever de casa
Não deixa de ser emblemático que, em meio à produção de consensos midiáticos sobre a impossibilidade de o Banco Central reduzir juros, venha do ex-ministro Delfim Netto uma lição basilar de economia para os porta-vozes do rentismo: “Todos bancos centrais olham para o nível de atividade e sabem que a política monetária tem efeitos com defasagens variáveis. Devem olhar, não apenas a taxa de inflação futura, mas também para o ritmo de crescimento futuro”, ensinou em artigo publicado esta semana.

De novo, não!
No mesmo artigo, Delfim volta a criticar o comportamento do BC, em 2008, quando, comandado por Henrique Meirelles, cometeu “o dramático erro” de demorar a baixar os juros, o que custou ao Brasil amargar a recessão de 2009.

O outro 11/9
Enquanto a imprensa, neste sábado, se concentre em associar o 11 de Setembro ao décimo aniversário dos ataques ao World Trade Center, é importante lembrar que, na mesma data, se completam os 38 anos do golpe que, apoiado pelos Estados Unidos, derrubou o presidente Salvador Allende, no Chile. Além das consequências políticas e econômicas, como os experimentos dos Chicagos” Boys, de Milton Friedman, o golpe fez a sociedade chilena mergulhar num profundo processo de alienação e abulia, não interrompido mesmo após o fim da ditadura. Mas as massivas manifestações estudantis que voltam a tomar conta das ruas do país mostram que essa longa fase anódina – estimulada pelo comportamento da Concertação que dirigiu o país por duas décadas – parece prestes a terminar.

Verdadeira ameaça
A sombra de ameaça permanente de terrorismo foi incorporada ao dia a dia dos estadunidenses, prática permanentemente renovada por setores que saíram vencedores com o virtual golpe de Estado perpetrado em 11 de setembro de 2001. De lá para cá, os gastos com segurança interna da pátria triplicaram, devendo atingir US$ 60 bilhões em 2012.

Hollywood
Sobre o assunto, o boletim eletrônico Resenha Estratégica faz uma denúncia: “No filme Minority Report, do celebrado diretor Steven Spielberg (2002), a polícia da Washington de 2054 baseia suas ações anticrime em um trio de paranormais videntes capazes de antecipar crimes que, eventualmente, seriam cometidos por certos indivíduos. Como resultado das ações preventivas, os suspeitos são detidos antes de realmente cometerem os crimes. Nos EUA de 2011, não dispondo dos videntes imaginados pelo escritor Philip K. Dick, cujas obras já inspiraram vários sucessos de Hollywood, o FBI tem recorrido em escala cada vez maior a um velho truque, o de instigar certos indivíduos a planejar ações criminosas, desbaratar antecipadamente as tramas e colher os louros pelo eficiente trabalho executado.”
“Mais especificamente, a polícia federal estadunidense tem empregado um bom número dos seus 15 mil agentes encobertos para se infiltrarem na comunidade islâmica e em outras minorias do país, identificar indivíduos potencialmente inclinados a cometer ações terroristas e induzi-los a planejá-las (…) Como recompensa por suas perigosas tarefas, os agentes encarregados do aliciamento dos potenciais futuros terroristas podem receber até US$ 100 mil por missão”, continua a Resenha.
“Embora pareça um roteiro hollywoodiano, a trama é real e foi revelada pela revista Mother Jones, que publicou os resultados de uma investigação realizada em conjunto com o Programa de Reportagens Investigativas do Departamento de Jornalismo da Universidade da Califórnia em Berkeley. (…) Entre os casos mais notórios orquestrados dessa maneira, destacam-se os planejados ataques aos metrôs de Nova York (2004) e Washington (2010), à Torre Sears de Chicago (2008) e à árvore de Natal de Portland (2010).”

Artigo anteriorNome limpo
Próximo artigoUm pouco cedo
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Salário mínimo baixo, gasto do Estado alto

Nos EUA, assistência a trabalhadores que ganham pouco custa US$ 107 bi por ano ao governo.

Privatização da Eletrobras aumentará tarifa em 17%

Estatal dá lucro e distribuiu R$ 20 bi em dividendos para a União.

Dois mitos sobre a Petrobras

Mídia acionada pelo mercado financeiro abusa de expedientes que ataca quando usados por bolsonaristas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Presidente do Banco do Brasil joga a toalha

Centrão tem interesse no cargo.

Imóveis comerciais tiveram estabilidade em janeiro

Nos últimos 12 meses, entretanto, preços de venda e locação do segmento acumulam quedas de 1,32% e 1,18%, respectivamente.

Contas públicas têm superávit de R$ 58,4 bilhões em janeiro

Dívida bruta atinge 89,7% do PIB, o maior percentual da história.

Presidente do Inep é exonerado do cargo

Medida foi publicada no Diário Oficial de hoje; até o momento, não foi anunciado o nome de quem o substituirá.

Primeiro caso de Covid-19 no Brasil completa um ano

Brasil tem novo recorde de mortes diárias, diz Fiocruz; boletim informa que houve ontem 1.148 mortes.