Moody’s prevê crescimento das economias no 2º semestre

Qualidade do crédito em todo o mundo vai continuar a se deteriorar.

Acredite se Puder / 19:12 - 23 de mar de 2020

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Até a semana passada, somente os analistas do Morgan Stanley tinham coragem de fazer prognósticos sobre a situação da economia mundial em tempos do vírus chinês. Nesta, os técnicos da Moody’s se manifestaram e avisam que esperam “um choque severo e extensivo” no crédito soberano, decorrente da epidemia e da crise vivida pelo mercado de petróleo, mas preveem que, na segunda metade deste ano, existirá um novo cenário de crescimento.

No relatório distribuído nesta segunda-feira, consta que os efeitos do vírus e da quebra nos preços do petróleo vão baixar o crescimento do PIB (produto interno bruto) e a força orçamental, aprofundar as vulnerabilidades dos soberanos à mudança no sentimento dos investidores e expor fraquezas nas instituições domésticas e internacionais. Os mais afetados serão os emitentes que se posicionam nos setores mais afetados pela redução de receitas, pelas cadeias de abastecimento interrompidas ou pela aversão ao risco demonstrada pelos investidores. Devido ao efeito “sem precedentes” dos dois fatores sobre o crédito, a agência avisa que a qualidade do crédito em todo o mundo vai continuar a se deteriorar. Apesar disso, a perspetiva negativa não se alongará. Os bancos centrais têm tentado segurar as economias com pacotes de estímulo e cortes nos juros. Paralelamente, os governos adotam medidas de contenção e de ajuda financeira, mas, apesar disso, a perspetiva é a de que a economia global entre em recessão este ano.

 

Impacto ultrapassa previsões da OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico avisa que o impacto da pandemia da Covid-19 no mundo já supera as suas piores previsões. No início de março, a OCDE estabeleceu que no pior cenário, o vírus poderia reduzir pela metade o crescimento da economia mundial neste ano, se situando em 1,5%, mas levando a recessão europeia e japonesa. Agora consideram que foi ultrapassada a previsão para o cenário mais severo.

 

Petróleo nos mínimos de 2003

O isolamento social e o cessar de várias atividades econômicas não essenciais diminuem a procura pelos derivados de petróleo. Para alguns analistas, se a pandemia demorar a ser controlada, a queda no consumo poderá chegar a 20 milhões de barris por dia neste ano. A decisão dos Estados Unidos de intervir nas políticas da Organização de Países Exportadores de Petróleo, no sentido de controlar a produção, poderia estimular as cotações, mas as críticas foram tantas que parece que a ideia foi abandonada. Assim, a cotação do barril continuou desvalorizando. Em Londres, a do Brent, negociado perdeu 4,93% e foi para os US$ 25,65, enquanto que, em Nova York, o West Texas Intermediate baixou 2,65% para os US$ 22,03.

 

Ex-senador aplica golpe em 150 investidores

David Schmidt é um ex-senador norte-americano eleito pelo estado de Washington, mas chegado a uma trampolinagem. Contratou Robert Dunlap e Nicole Bowdler para comercializar um suposto ativo digital chamado Meta 1 Coin em uma oferta não registrada na SEC, realizada pela sua empresa, a Meta 1 Coin Trust. O trio fez inúmeras declarações falsas e enganosas para investidores potenciais, inclusive alegaram que o ativo era lastreado por uma coleção de arte de US$ 1 bilhão ou US$ 2 bilhões em ouro, e que uma empresa de contabilidade estava auditando as posições. Além disso, diziam que a Meta 1 Coin estava isenta de riscos, nunca perderia valor e poderia valorizar até 224.923%. Porém, nunca fizeram nenhuma distribuição, pois canalizaram os recursos para Pramana Capital Inc. e Peter K. Shamoun e o político comprou uma Ferrari de US$ 215 mil. No total, lesaram 150 investidores em US$ 4,3 milhões. A Securities and Exchange Comission está processando todos os envolvidos.

 

Ouro dispara mais de 4%

O Fed lançou novo pacote de estímulos sem precedentes, maior do que o da grande crise financeira. Apesar disso, os analistas não ficaram esperançosos, pois não sabem se o otimismo vai durar mais do que um dia. Nesse clima de indecisão o ouro valorizou 4,493% para os US$ 1.551,30.

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