O ex-presidente americano Jimmy Carter (1977-1981) faleceu ontem, aos 100 anos, em sua casa na Geórgia neste domingo. O anúncio foi feito por seu filho, James E. Carter III, ao The Washington Post. Isso ocorreu após sua decisão, em fevereiro de 2023, de entrar em cuidados paliativos após ser diagnosticado com melanoma que metastatizou para seu cérebro e fígado.
“Meu pai foi um herói, não só para mim, mas para todos que acreditam na paz, nos direitos humanos e no amor altruísta”, disse seu filho, no comunicado.
“Meus irmãos, minha irmã e eu o compartilhamos com o mundo por meio dessas crenças comuns. O mundo é nossa família pela maneira como ele uniu as pessoas, e agradecemos por honrar sua memória continuando a viver essas crenças compartilhadas.”
Tendo vivido mais do que qualquer outro ex-presidente na história dos EUA, ele viu sua reputação aumentar mais depois que deixou o cargo do que como presidente – uma situação que ele mesmo reconheceu.
Ele derrotou o então presidente republicano Gerald Ford na eleição de 1976 para se tornar o 39º presidente dos EUA, mas perdeu de forma categórica para o republicano Ronald Reagan em 1980, após um único mandato considerado um fracasso.
Carter deixou o cargo profundamente impopular, mas trabalhou vigorosamente por décadas em causas humanitárias depois disso.
Ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2002 em reconhecimento ao seu “esforço incansável para encontrar soluções pacíficas para conflitos internacionais, impulsionar a democracia e os direitos humanos e promover o desenvolvimento econômico e social”.
Nos últimos anos, Carter teve vários problemas de saúde, incluindo melanoma que se espalhou para seu fígado e cérebro. Carter decidiu receber cuidados paliativos em fevereiro de 2023 em vez de passar por intervenção médica adicional. Sua esposa, Rosalynn Carter, morreu em 19 de novembro de 2023, aos 96 anos. Carter pareceu frágil quando compareceu ao funeral dela em uma cadeira de rodas.
Em janeiro de 2022, Carter expressou preocupação de que a “polarização tóxica” ameaçasse a democracia norte-americana após a tumultuada Presidência de Donald Trump, falsas alegações de que a eleição presidencial de 2020 foi “roubada” e o ataque ao Capitólio dos EUA pelos apoiadores do republicano em janeiro de 2021. Carter morreu pouco antes de Trump retornar à Presidência dos EUA no mês que vem.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte.
“Foi, acima de tudo, um amante da democracia e defensor da paz”, escreveu, em seu perfil na rede social X.
“No fim dos anos 70, pressionou a ditadura brasileira pela libertação de presos políticos. Depois, como ex-presidente, continuou militando pela promoção dos direitos humanos, pela paz e pela erradicação de doenças na África e na América Latina.”
“Carter conseguiu a façanha de ter um trabalho como ex-presidente, ao longo de décadas, tão ou mais importante que o seu mandato na Casa Branca”, completou.
No post, Lula cita ainda que o ex-presidente norte-americano “criticou ações militares unilaterais de superpotências e o uso de drones assassinos”, além de ter trabalhado junto ao Brasil na mediação de conflitos na Venezuela e na ajuda ao Haiti.
“Criou o Centro Carter, uma referência mundial em democracia, direitos humanos e diálogo. Será lembrado para sempre como um nome que defendeu que a paz é a mais importante condição para o desenvolvimento”, concluiu Lula.
Matéria atualizada às 14h20, para acréscimo de nota de Lula
Com informações da Agência Brasil, citando a Reuters; e da Wikipedia
















