Movimentos diplomáticos da Rússia, China, Alemanha e do Qatar

Análise de movimentos diplomáticos envolvendo Rússia, China, Alemanha e Qatar em meio a desafios globais.

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O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin
(231018) -- BEIJING, 18 octubre, 2023 (Xinhua) -- El presidente chino, Xi Jinping, sostiene conversaciones con el presidente ruso, Vladimir Putin, en el Gran Palacio del Pueblo, en Beijing, capital de China, el 18 de octubre de 2023. Putin se encuentra en Beijing para asistir al tercer Foro de la Franja y la Ruta para la Cooperación Internacional (BRF, por sus siglas en inglés). (Xinhua/Zhang Ling) (jg) (da) (ce)

Três cúpulas no mesmo dia, complexas e muito delicadas, tendo o ataque do Hamas no centro: (; ??) o que têm em comum a visita de Vladimir Putin ao Quirguizistão, a visita de Josep Borrell a Pequim e a visita de Tamin bin Hamid al-Thani à Alemanha? Não apenas as reações ao ataque do Hamas a Israel, mas um conjunto de intervenções centradas nas relações energéticas. Os dossiês sobre as mesas são múltiplos, mas estão ligados por um fio: a necessidade de todos os atores de não se deixarem ultrapassar pelos acontecimentos, mesmo os inesperados, como os eventos em Gaza, e de tentarem antecipar futuras parcerias, à luz das novas condições geopolíticas.

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Em Bisqueque

Putin escolheu o Quirguistão para a sua primeira viagem em 2023, após o mandado de prisão internacional ter sido emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). O objetivo é reforçar a cooperação geopolítica e defensiva; por esta razão, um acordo visando um sistema conjunto de defesa aérea foi ratificado pelo parlamento do Quirguistão. “Este seria um excelente resultado para a Rússia e para o Quirguistão”, explica o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. As conversações decorreram de forma amigável e construtiva. “Foram muito produtivas”, comentou Putin no final de sua reunião com o presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov.

De particular importância é a base aérea de Kant, que a Rússia tem no Quirguistão e que representa “uma contribuição substancial para o fortalecimento das capacidades defensivas deste país, garantindo a segurança e a estabilidade para toda a região da Ásia Central e para a luta contra desafios e ameaças graves como terrorismo, extremismo, tráfico de drogas e crime organizado”. Palavras que Putin dirigiu ao presidente do Quirguistão precisamente para sublinhar seu status na área (e não apenas em termos da Ucrânia).

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Mas não é tudo, porque o chefe do Kremlin se encontrará com o líder azerbaijano, Ilham Aliyev, e participará na cimeira do Conselho de Chefes de Estado da Comunidade de Estados Independentes, num formato limitado com o objetivo de alargar seu consenso aos atores da Ásia Central, juntamente com os líderes do Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Uzbequistão. Moscou pretende reiniciar o chamado “quarteto” do Médio Oriente para resolver a atual crise na região, como admitiu, nas mesmas horas, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, por ocasião de outra importante reunião, uma rodada organizada pela Tass sobre o papel da mídia no fortalecimento da cooperação russo-turca.


Em Xangai

O número um da política externa da União Europeia, Borrell, pretende gerir a estratégia do bloco de “redução de riscos” com seu principal parceiro comercial, depois da sua viagem à China já ter sido adiada duas vezes: estes dois dias serão repletos de cimeiras e reuniões com o Ministro Wang Yi, incluindo o contexto da guerra entre Israel e o Hamas, que levou Borrell a organizar uma reunião de emergência dos Ministros dos Negócios Estrangeiros europeus. A China apelou a todos os membros que lutassem ou se esforçassem para cessar o fogo, em dias complicados, devido à guerra em Israel, acrescentando-se à da Ucrânia; então, corre-se o risco de um retrocesso devido à sobreposição de dossiês. Vinte e quatro horas antes, Borrel tinha explicado que a UE “não está totalmente convencida” de que Pequim seja neutra na guerra da Rússia contra a Ucrânia.

No centro dos encontros estará, igualmente, o tema da energia eólica, na sequência do caso dos subsídios da China ao setor. Segundo a comissária europeia da Energia, Kadri Simson, “nenhuma decisão oficial foi tomada” sobre a possibilidade de se investigar os subsídios, após Bruxelas ter lançado uma investigação sobre a possibilidade de o governo chinês ter “drogado” o mercado de automóveis elétricos do país. Ajudas que ofereceriam importações de baixo custo em detrimento dos concorrentes europeus.


Em Berlim

O Chanceler Olaf Scholz, recebendo o Emir do Qatar, al-Thani, reiterou o seu apoio a Israel, tal como explicado algumas horas antes, perante o Bundestag, quando apontou o dedo contra o Irã: o ponto central da sua posição é que a segurança de Israel é uma prioridade para a Alemanha. Porém, mais do que a Alemanha, o Qatar é o país mais bem indicado para conceber uma estratégia de mediação em torno da loucura assassina do Hamas. Scholz está ciente disso e espera seguir Doha, que fornecerá gás natural liquefeito à Alemanha em 2024, assim como uma estratégia para se distanciar das importações do gás, mais barato, da Rússia.

Berlim tenta tornar-se um interlocutor e um pivô, como demonstra, entre outras coisas, a decisão de fornecer à NATO 35.000 soldados, a partir de 2025, como admitiu o ministro da defesa alemão, Boris Pistorius: tropas que servirão para reforçar, de um lado, a dissuasão e a defesa da aliança e, do outro, tentar desempenhar um papel diferente, num momento em que esse papel se faz sentir necessário na UE.

Edoardo Pacelli é jornalista, ex-diretor de pesquisa do CNR (Itália), editor da revista Italiamiga e vice-presidente do Ideus.

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