MP prende ex-secretário de Saúde de Witzel

Edmar Santos é suspeito de integrar organização que fraudou contratos de compra de respiradores pulmonares.

Rio de Janeiro / 11:05 - 10 de jul de 2020

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O ex-secretário de Estado de saúde, Edmar Santos, foi preso, nesta manhã, em sua casa, no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio. Agentes do Ministério Público também estiveram no apartamento onde mora no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio, para cumprir um mandado de prisão. As informações são da Rádio Tupi.

Ele é suspeito de integrar uma organização criminosa que fraudou contratos de compra de respiradores pulmonares, que são usados em pacientes com Covid-19. Edmar e outras sete pessoas são acusadas, pelo Ministério Público, de improbidade administrativa.

Na última semana, a Justiça havia determinado a quebra do sigilo bancário e bloqueio de bens de Edmar. Também na última semana, ele se recusou a responder os questionamentos feitos pela Comissão de Fiscalização dos Gastos do Estado, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), contra a Covid-19, durante sessão virtual.

Também estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em outra casa do ex-secretário, em Itaipava, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Integrantes do MP e policiais civis apreenderam na casa do ex-secretário malotes com documentos e computadores.

A operação foi realizada pelo MP-RJ, por meio do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC/MP-RJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MP-RJ) e da Delegacia Fazendária da Polícia Civil e é um desdobramento da Operação Mercadores do Caos, sobre fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Saúde, que já tinha resultado na prisão do ex-subsecretário executivo Gabriell Neves, no início de maio deste ano.

Dias depois da prisão de Neves, ainda em maio, Edmar Santos foi exonerado do cargo de secretário estadual de Saúde.

De acordo com o MP-RJ, também foi obtido junto à Justiça o arresto de R$ 36,9 milhões em bens de Edmar Santos, que seria o valor desviado em três contratos para a compra dos equipamentos médicos.

Segundo o MP-RJ, Edmar Santos atuou de forma consciente, "em comunhão de ações e desígnios" com Neves e outros investigados na primeira fase da operação Mercadores do Caos, para desviar recursos públicos destinados à compra de ventiladores pulmonares.

Para o MP-RJ, em liberdade, Edmar ainda pode adotar condutas para dificultar mais o rastreamento das verbas públicas desviadas, bem como destruir provas e até mesmo ameaçar testemunhas. O ex-secretário responderá por organização criminosa e peculato, que é apropriar-se de bens ou recursos públicos em função de seu cargo.

No início da tarde, Edmar Santos foi levado por promotores para a Cidade da Polícia, onde vai prestar depoimento na Delegacia Fazendária. Depois de exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), Edmar Santos será conduzido para a Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, uma vez que é oficial da corporação.

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou que o MP-RJ tivesse acesso para extrair conteúdo armazenado nos materiais apreendidos, como telefones celulares, computadores e pen drives, inclusive de registros de diálogos telefônicos ou telemáticos, como mensagens SMS ou de aplicativos como WhatsApp, dentre outros. O trabalho técnico ficou a cargo da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MP-RJ).

A 1ª Vara Criminal Especializada também acatou o pedido do MP-RJ para arresto de bens e valores de Edmar até o valor R$ 36.922.920, equivalente aos recursos públicos desviados em três contratos fraudados para aquisição dos equipamentos médicos.

 

Com informações da Agência Brasil e da Rádio Tupi

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