MPEs: 51% relatam piora na economia nos últimos seis meses

Segundo a CNDL/SPC Brasil, apesar de estarem otimistas com os próximos meses, 70% não pretendem contratar crédito.

Os efeitos causados pela segunda onda de Covid-19 e as medidas de restrição adotadas nos primeiros meses do ano ainda impactam negativamente a percepção do micro e pequenos empresários sobre a economia do país. É o que aponta a maioria dos micro e pequenos empresários do Brasil. De acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae, um a cada dois empresários considera que as condições gerais da economia brasileira pioraram ou pioraram muito nos últimos seis meses (51%), um aumento de 17 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2019. A outra metade dos entrevistados se divide entre os que consideram que as condições melhoraram ou melhoraram muito (21%) ou não se alteraram (25%).

Cenário um pouco menos pessimista ocorre na avaliação da situação atual das empresas, já que 34% das MPEs avaliam que houve piora ou muita piora nos últimos seis meses, um aumento de 7 pontos percentuais em comparação a 2019.

Por outro lado, o cenário de avanço da vacinação e de reabertura das atividades sociais e comerciais parece trazer otimismo aos empresários. De acordo com o levantamento, metade dos MPEs (49%) está confiante ou muito confiante quanto ao desempenho da economia brasileira nos próximos seis meses. Apesar disso, este número caiu 21 pontos percentuais em comparação com a mesma pesquisa realizada em 2019, mostrando que embora ocorra o predomínio da confiança, ela ainda não recuperou os patamares pré-pandemia.

A pesquisa avaliou a percepção dos empresários sobre o desempenho de vendas no último mês e descobriu que 41% consideram que foi bom ou ótimo – praticamente o mesmo percentual que em 2019, antes da pandemia. Com isto, os empresários também estão mais otimistas quanto as expectativas da própria empresa: dois a cada três estão confiantes ou muito confiantes no desempenho da empresa nos próximos seis meses (65%).

Apesar do otimismo com futuro, a pesquisa aponta que dois a cada três empresários não implementaram melhorias no negócio nos últimos seis meses (64%), ante 36% que fizeram. Trata-se de um aumento expressivo se comparado a 2019, quando 42% não haviam implementado, ante 58% dos MPEs que tinham promovido alguma melhoria.

Entre as melhorias realizadas pelas empresas nos últimos seis meses, destacam-se: reforma da empresa (28%), ampliação do estoque (27%), compra de equipamentos, maquinários e computadores (24%), implantação de vendas ou serviços virtuais (22%) e enxugamento de gastos (21%).

Quando questionados sobre os próximos meses, aproximadamente um a cada três MPEs pretendem investir na empresa nos próximos 90 dias (29%). Entretanto, eles ainda não são majoritários: metade dos MPEs não tem a intenção de investir na empresa no futuro próximo (50%). Em 2019, o percentual dos que pretendiam investir foi maior, chegando a 41%.

Entre os que pretendem investir, os principais objetivos são: ampliar o estoque (28%), investimento em mídia e propaganda (24%), reforma da empresa (24%) e compra de equipamento (24%). Além desses objetivos ligados a expansão da empresa, também se destacou outro aspecto que praticamente não tinha expressividade na pesquisa anterior à pandemia: “conseguir manter a empresa aberta considerando as dificuldades vividas com a crise econômica” (25%).

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