MPEs: mais da metade teve queda de mais de 75% nas vendas

Em São Paulo, 95% são pequenos empresários, que empregam até 20 funcionários, e a maioria atua no comércio varejista.

São Paulo / 15:20 - 7 de jul de 2020

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Ao acompanhar os desdobramentos das crises política e econômica causadas pela pandemia de coronavírus, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) produziu um levantamento com 400 empresários de comércio e de serviços da cidade de São Paulo, entre abril e maio deste ano, para entender como estão os setores atualmente e qual a expectativa de recuperação.

Os empreendedores responderam questões sobre os impactos gerais da epidemia em seus negócios, problemas financeiros, trabalhistas e perspectivas diante desse cenário de incertezas econômicas. Dentre os entrevistados, 95% são pequenos empresários, que empregam até 20 funcionários, e a maioria atua no comércio varejista; 55% classificaram a crise como grave e 22% como muito grave.

Sobre os impactos gerais no comércio, 55% informaram que tiveram queda de mais de 75% nas vendas; 19% observaram queda de 75% a 51%; e 10% dos entrevistados registraram perdas de 26% a 50%. Durante o período de quarentena, quando só os estabelecimentos essenciais como farmácias e supermercados puderam abrir, 85% precisaram permanecer fechados e 76% deixaram de receber mercadorias de fornecedores.

Grande parte dos comerciantes seguiram recomendações da Federação e tentaram remanejar suas demandas, 54% renegociaram prazos e pagamentos com fornecedores; 47% revisaram os custos da empresa; e 40% intensificaram as vendas a distância e realizaram promoções, como medidas para minimizar os prejuízos. Ao revisar os custos, 30% foram em busca de crédito no mercado; 37% não aderiram a nenhuma linha ainda, mas pretendem contratar; e para 34%, o crédito não está entre os objetivos no momento.

O levantamento mostra, ainda, que 65% dos empreendedores acreditam que vão precisar atrasar contas (água, luz) nos próximos meses, enquanto 48% vão deixar de pagar fornecedores no prazo. Além disso, 32% vão atrasar financiamentos e 30% não conseguirão honrar os salários dos empegados.

Ainda sobre a manutenção de emprego e renda, as repostas foram equilibradas, 51% pretendem fazer desligamentos para manter suas contas em dia e 49% devem manter o quadro de funcionários, nesse primeiro momento. Contudo, dentre as medidas estratégicas adotadas pelas empresas, apenas 18% declaram ter utilizado antecipação de férias e aplicação de jornada diferenciada, o que mostra que ainda é uma opção para muitas delas.

Já durante o período de restrições às aberturas, 46% utilizaram as redes sociais para alavancar as vendas; 28% por televendas; 27% fizeram entregas diretas; e 22% usaram aplicativos. Agora, com a reabertura parcial, 52%, estimam uma recuperação a médio prazo, 3 a 12 meses. Um percentual relevante, 36%, responderam que o restabelecimento deve ser longo e só após um ano pelo menos. Para os mais otimistas, que correspondem a 10%, a melhora deve vir em até três meses.

 

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