MPF aponta fatos que fundamentam denúncia contra Cabral

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O Ministério Público Federal (MPF) detalhou hoje informações sobre a denúncia apresentada contra o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e investigados, que se tornaram réus após decisão judicial nesta semana que abriu a ação penal. O MPF enumerou 21 fatos que levaram a uma série de atos relacionados aos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os procuradores da República, em coletiva, explicaram que as investigações continuam e que novas denúncias poderão ser oferecidas. O MPF e a Polícia Federal apuram um possível vazamento de informações sobre a operação e a infiltração de pessoas ligadas à quadrilha na estrutura do estado do Rio de Janeiro. O MPF afirma na denúncia que a Construtora Andrade Gutierrez devia R$ 25 milhões de propina a Cabral e R$ 5 milhões ao seu ex-secretário de Obras, Hudson Braga. Ao ex-governador, foram pagos efetivamente R$ 7,5 milhões. Os procuradores afirmam que R$ 2 milhões contabilizados como propina pela construtora foram doados, dentro das regras eleitorais, ao diretório nacional do PMDB, para a campanha de 2010, e que Hudson Braga também recebeu perto de R$ 2 milhões. Saiba Mais Compras de joias, barcos e obras de arte e a construção de imóveis estão entre as estratégias usadas para ocultar o dinheiro recebido de propina da Andrade Gutierrez. Empresas que de fato existiam e falsos trabalhos de consultoria também foram usados para que o dinheiro ilícito se misturasse ao lícito, o que dificultava o rastreamento. O procurador Lauro Coelho evitou estimar quantos anos de prisão a denúncia pode provocar, mas disse que a intenção do MPF é que todos os crimes sejam somados. Os procuradores afirmaram não ter indício de participação no esquema do atual governador Luiz Fernando Pezão (também do PMDB), que foi vice-governador e secretário de obras de Sérgio Cabral. As informações sobre propinas pagas pela Andrade Gutierrez constam em uma planilha que peritos atestaram ter sido preenchida até 2012. O que, segundo o MPF, afasta a possibilidade dela ter sido produzida e alterada para a delação. Dados fornecidos por colaboração premiada também deram subsídios para a as investigações sobre pagamento de propina e a Polícia Federal e o MPF acrescentaram provas e caracterizaram também a lavagem de dinheiro. Com base na colaboração premiada dos executivos da Andrade Gutierrez, o Ministério Público suspeita que os valores de propina envolvidos nas obras do Maracanã e do PAC Favelas podem chegar a R$ 224 milhões. A estimativa é feita com base no cálculo de 5% do valor das obras, que foi cobrado no esquema e pode ter sido replicado na relação com as demais construtoras envolvidas. Para o procurador Leonardo de Freitas, a crise no governo do Rio mostra que é urgente o combate à corrupção. - O estado foi assolado por organização que praticou extensos atos de corrupção, e esse mesmo estado hoje vive uma crise aguda que, sem dúvida, seria em alguma medida menor se toda essa corrupção e desgoverno não tivesse sido praticada no nosso passado recente - disse. Ex-primeira-dama está em cela sozinha para internas com nível superior A advogada Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, está sozinha em uma das celas da Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza, no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste da capital. Ela foi presa ontem por suspeita de crime de lavagem de dinheiro e associação à organização criminosa, segundo investigações da Polícia Federal que originaram a Operação Calicute. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), ela está presa na galeria para internas com nível superior, onde há nove celas e 18 vagas. Por haver apenas sete internas no local, Adriana pode ficar sozinha na cela de 6 m² que tem uma beliche de alvenaria, um chuveiro, uma pia e um dispositivo sanitário no chão. Ainda segundo a secretaria, Adriana passa bem e se alimentou normalmente. Ela terá direito a visitas que serão cadastradas e terão suas carteirinhas de visitante expedidas em um prazo de até quinze dias, no mesmo procedimento feito para todos os internos. Até o momento, ela não recebeu visitas, informou a Seap. As denúncias do MPF) apontam que Adriana participou do desvio de milhões de reais de dos cofres públicos em compras de joias sem nota fiscal. Ainda segundo o MPF a ex-primeira-dama usava codinomes para comprar as joias e assim ter seu nome ocultado das transações. O dinheiro seriam de propinas pagas à organização criminosa liderada pelo ex-governador. Com informações da Agência Brasil

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