MSF cobra ações na COP30 para enfrentar impactos da crise climática na saúde

MSF cobra ações concretas na COP30 para enfrentar impactos da crise climática na saúde

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Fachada da COP30
Belém (PA), 07/11/2025 - Pavilhões da COP30. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) fez um apelo por medidas concretas e urgentes para responder aos impactos da crise climática sobre a saúde, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade. O pedido ocorre às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA).

Segundo a entidade, os efeitos da mudança do clima sobre a saúde estão cada vez mais evidentes, mas continuam “marginalizados” nas discussões de alto nível. “Vemos esse impacto todos os dias em diferentes locais onde atuamos, e as pessoas já vulnerabilizadas são as mais afetadas, exatamente aquelas que menos contribuem para as emissões de gases do efeito estufa. Essas comunidades estão pagando com suas vidas e sua saúde por uma crise que elas não criaram”, afirmou a secretária médica da organização, Dra. Maria Guevara.


Crise humanitária e riscos acumulados

MSF relata que fenômenos como inundações, secas e tempestades severas têm se tornado recorrentes e atingem as mesmas comunidades antes que elas consigam se recuperar. No Brasil, a entidade cita o caso do Rio Grande do Sul, onde chuvas e deslizamentos em 2023 e 2024 deixaram centenas de mortos e milhares de desabrigados. A organização atuou com clínicas móveis, atendimento psicológico emergencial e capacitação de profissionais locais.

Além dos danos físicos e estruturais, esses eventos provocam traumas emocionais, insegurança alimentar e deslocamentos forçados. As consequências são ainda mais graves entre grupos já excluídos da assistência básica de saúde — como pessoas em situação de pobreza, comunidades indígenas, populações rurais e deslocados por conflitos.

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A organização também relata situações semelhantes em países africanos, como Moçambique e Madagascar, onde eventos climáticos extremos se intensificaram. Na Nigéria, por exemplo, a combinação entre desnutrição e doenças como malária e dengue elevou a taxa de mortalidade. Já no Zimbábue, secas prolongadas levaram agricultores à mineração informal e agravaram a escassez de água potável.

“Precisamos de sistemas de alerta precoce que levem em conta não só padrões meteorológicos, mas também epidêmicos, para que possamos compreender melhor essa interação e responder de maneira mais rápida e efetiva”, ressaltou a Dra. Guevara.


Da promessa à implementação

A MSF defende que a COP30 seja um ponto de virada para compromissos climáticos mais ambiciosos e, sobretudo, para ações efetivas. “Os países e comunidades mais afetadas não estão recebendo o apoio de que precisam — técnico e financeiro — para transformar promessas em melhorias reais para a saúde e para os sistemas de saúde”, afirmou a médica.

A organização também pede que a agenda da conferência incorpore de forma robusta as perspectivas da saúde e da ação humanitária, garantindo acesso equitativo a medidas de adaptação climática.

Um dos principais anúncios esperados durante o evento é o Plano de Ação em Saúde de Belém, previsto para o dia 13 de novembro, que deve oferecer um roteiro para fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde diante das mudanças climáticas, com base na justiça climática e na equidade.

A diretora-executiva de MSF-Brasil, Renata Reis, destacou ainda a importância de envolver comunidades tradicionais na formulação das políticas. “Nossa experiência mostra que uma abordagem imposta de cima para baixo não é apenas ineficaz, mas pouco inteligente. Se os nossos esforços não considerarem as sabedorias local e indígena, corremos o risco de ignorar as necessidades reais e aprofundar ainda mais as desigualdades”, afirmou.

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