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segunda-feira, janeiro 18, 2021

Mudança de hábito: menos Alimentação, mais Transporte

Em janeiro, a Fundação Getulio Vargas vai alterar a ponderação do Índice de Preços (IPC/FGV), com a atualização tendo como referência a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo IBGE entre 2017/2018. É a 12° atualização da estrutura do índice. É interessante observar as mudanças ao longo do tempo, que refletem as alterações nos padrões de consumo.

O IPC começou a ser calculado em 1944, com apenas 44 itens. O número chegou a 456, em 2004. A partir de 2020, serão 310 itens. Em relação à mudança na ponderação com base na POF 2002/2003, houve forte queda na participação dos grupos Alimentação (de 27,4% para 18,4%) e Habitação (31,8% para 22,7%). O grupo Vestuário caiu de 5,4% para 4,7%.

Houve forte alta em Transportes (de 11,7% para 19,6%) e Saúde e Cuidados Pessoais (de 10,3% para 15,1%). Educação (8,97% a partir de 2020) e Despesas Diversas (5,3%) pouco se alteraram, e Comunicação entrou no índice em 2008/2009, com 5,8%, caindo agora para 5%.

Hábitos novos aparecem em subitens do grupo Despesas Diversas, como Despesas com Animais Domésticos, que passou de um peso 0,5% na POF 2008/2009 para 0,69% (alta de quase 40%), enquanto Correio e Telefone Público despencou de 0,43% para 0,08%. Telefone Residencial, do grupo Comunicação, também levou forte tombo: de 1,95% para 0,3%.

Há ainda diferenças regionais. O item Macarrão Instantâneo aparece com peso zero em Recife, Belo Horizonte e Salvador, mas consta na cesta de cariocas (0,05%), paulistas (0,03%) e moradores de Brasília (0,02%). Por outro lado, Fubá de Milho tem peso de 0,08% em Recife, mas sai zerado nas demias cidades pesquisadas. E, como todo mundo deve conhecer, o Feijão-carioca não é consumido no Rio de Janeiro (peso zero), que prefere o Feijão-preto (0,2% de peso).

 

Vistam a carapuça

Ex-presidente do Supremo, Cezar Peluzo evitou, em entrevista a um jornal do Rio, criticar a Lava Jato. Mas, quando quiseram saber sua avaliação sobre os juízes que entram na política, como o ministro Sergio Moro e o governador Wilson Witzel, o ex-ministro tascou: “Alguns têm mais vocação de políticos do que de magistrados, o que acaba sendo confirmado pelo fato de assumirem novas carreiras.”

Em outro trecho, ainda sobre a política se sobrepondo à toga, Peluzo afirmou: “Alguns juízes com mais vocação política do que de magistrado assumem esse papel messiânico de responder aos apelos da sociedade e, portanto, transformar o Judiciário como um órgão de condenação penal, e não como um órgão julgador.”

 

Empresas e empresas

A nova denúncia da Vaza Jato, sobre a generosidade da Lava Jato com o Banco Safra, contrasta com a posição dos procuradores quando a empresa envolvida não é do mercado financeiro. Sobre o banco, nota da força-tarefa alega que o “MPF [Ministério Público Federal] entendeu que o acordo proposto era favorável ao interesse público (…) por fim, a instituição financeira comprometeu-se com a revisão de práticas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro”. Esta, aliás, foi a única tarefa que coube ao Safra.

Já sobre a destruição de empresas, especialmente as empreiteiras, como acusou o presidente do Supremo, Dias Toffoli, um integrante da Lava Jato em Curitiba, o procurador Roberson Pozzobon, saiu em defesa das investigações adotando outro tom: “A Lava Jato não ‘destruiu’ empresa nenhuma. Descobriu graves ilícitos praticados por empresas e as responsabilizou, nos termos da lei. A outra opção seria não investigar ou não responsabilizar. Isso a Lava Jato não fez.”

 

Pioneira

Argentina caminha para oferecer a seus cidadãos o primeiro programa nacional de identidade digital do mundo. Com tecnologia da HID Global, vai integrar a versão digital do Documento Nacional de Identidade obrigatório (DNI) ao aplicativo Mi Argentina. Assim, o documento de identidade verdadeiro estará disponível no celular.

 

Nitroglicerina

Enquanto se discute se a apuração do assassinato de Marielle Franco será federalizada ou não, a PF mantém, extra-oficialmente, sua investigação.

 

Rápidas

O Icatu é mais uma empresa a se mudar para a região do Porto Maravilha (RJ), que aos poucos vai atingindo seu objetivo de recuperar a área. A instituição ocupará cinco andares do Aqwa Corporate *** Neste domingo, tem Parada Circense pelos corredores do Caxias Shopping, às 17h, com o Topetão e sua Turma.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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