Mudanças climáticas e responsabilidades

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geleiras derretidas devido a mudanças climáticas
Foto: Willian Bossen.

Em 1992, com a Conferência das Nações Unidas realizada no Rio de Janeiro (ECO-92), o Brasil tornou-se uma das maiores lideranças na defesa ambiental do Planeta. Na oportunidade, 179 nações aprovaram vários documentos internacionais, dentre os quais, a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas (CMC).

Desde 1995, outras COPs (Conferências das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) ocorrem anualmente em diferentes países para debater a situação e mitigar os efeitos provocados pelas mudanças climáticas. Este mês, a ONU anunciou que, em 2025, o Brasil sediará, em Belém do Pará, a COP 30.

Também, o Acordo de Paris de 2015 trata-se de um compromisso mundial que prevê metas de redução da emissão de gases do efeito estufa, obedecendo diferentes circunstâncias nacionais. Até novembro de 2022, já havia sido assinado por 196 países, sendo reconhecido como um importante instrumento para que os países mantenham a média global da temperatura abaixo de 2ºC acima dos níveis pré-industriais ou, especialmente, para que se mantenha na meta inicial de 1,5ºC, o que já se demonstra quase superado.

Apesar dos esforços, o relatório síntese do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), publicado em março de 2023, deixou claro que “mesmo se todos os países do mundo implementarem todos os seus compromissos climáticos, isso provavelmente não será suficiente para manter o aquecimento global em 1.5ºC acima dos níveis pré-industriais, o que os cientistas acreditam ser o necessário para evitar piores impactos das mudanças climáticas”*.

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As notícias veiculadas neste mês de julho sobre o recorde de calor no verão dos EUA e da Europa deixam claro que o planeta passou do estado febril e está muito mais quente. Somos testemunhas de mudanças quase irreversíveis em alguns ecossistemas, especialmente pelas perdas florestais (incêndios, queimadas, desmatamento) e aquecimento dos oceanos.

Para combater as mudanças climáticas, não é mais suficiente cortar a emissão de gases de efeito estufa. É necessário manter a floresta em pé, com seu poderoso poder de fotossíntese, absorvendo o carbono do ar, proteger e restaurar os habitats naturais, incentivar a participação nas tomadas de decisão de comunidades tradicionais e povos indígenas, e proteger suas terras. É também urgente o empenho dos setores público e privado, revisão das relações econômicas entre os países, atuação da diplomacia internacional com obtenção do financiamento climático internacional, e que todos ajudem compartilhando ideias e ações (acompanhe as hashtags #IPCC #MudancasClimaticas #NaturezaJa).

Mais do que isso, é necessário repensar os fundamentos de abundância e liberdade da economia mundial, não havendo mais espaço para o negacionismo, destaca o professor Guilherme Purvin de Figueiredo (in Brasil-China sobre combate às Mudanças Climáticas).

Espera-se que a COP 28 em Dubai, no final deste ano, seja bem-sucedida no combate às mudanças climáticas com a cooperação de todos os países, comunidades e pessoas interessadas, inclusive, com um esperado acordo entre Brasil e China visando maior sustentabilidade em suas relações comerciais, especialmente na exportação de grãos e carne bovina, setores que notoriamente pressionam a expansão das fronteiras agropecuárias (Guilherme Purvin. Ob. cit, in revista pub.org).

Só o esforço conjunto pode reverter os efeitos devastadores ao ser humano decorrentes do aumento da temperatura do Planeta Terra.

*Fonte:
https://www.ipcc.ch/

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