"Muitas pessoas não sabem como lidar com o portador de deficiência e também

Empresa Cidadã / 17:51 - 22 de jan de 2002

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desconhecem o que ele pode fazer. Acabam imaginando limitações que não existem." (John Jansen, diretor e líder do programa de diversidade da DuPont do Brasil S.A.) Há no Brasil cerca de 16 milhões de portadores de deficiência. Destes, 9 milhões estão em idade de integrar o mercado de trabalho, mas só 2 milhões estão incluídos nos empregos formais. - A política nacional para integração da pessoa portadora de deficiência está expressa no Decreto 3.298/99 que, no que se refere ao trabalho, estabelece a obrigatoriedade de contratações pelas empresas privadas. Outros diplomas legais existem em estados e municípios, como a Lei Complementar no 22/93 e mais recentemente a Lei 3.311/01, ambas da cidade do Rio de Janeiro. A primeira é referente à adequação dos espaços urbanos e prédios públicos e a segunda, de autoria do vereador Otávio Leite, aplica-se ao acesso aos condomínios residenciais. - Não é portanto por falta de leis que a exclusão dos portadores de deficiência representa um dos principais vetores da miséria no país. Mesmo as empresas-cidadãs defrontam-se com dificuldades para exercer este papel, como a da inexistência de indicações das funções que poderiam ser exercidas com segurança pelos portadores de deficiência. - Não basta estipular o percentual dos postos de trabalho que deverão ser preenchidos se existe uma grande diversidade de empresas e em muitas delas, sobretudo as que tem forte participação de chão de fábrica, a condição física do colaborador é determinante para o exercício profissional. - Quando da apuração do balanço social, a simples indicação do número de portadores de deficiência preocupa a muitas empresas que, pela natureza do processo produtivo, possam ter o dado interpretado como deficiência adquirida em decorrência da atividade profissional. - O recrutamento, a seleção, a permanência e o sucesso profissional do deficiente esbarram também na baixa escolaridade e experiência do portador de deficiência, conseqüência de processos antecedentes de exclusão escolar e social. A necessidade de políticas afirmativas deve ser complementada com o engajamento de todos em um esforço solidário e amplo, que englobe aspectos como o da superação da desinformação, de barreiras arquitetônicas, de escolaridade e qualificação profissional. - Quanto às empresas, mais do que disponibilizar postos de trabalho, em situações que muitas vezes oscilam entre risco pessoal e simples benemerência, o que pode reverter em mais discriminação, formas mais criativas podem ser desenvolvidas. - A partir da participação dos interessados diretos na busca de alternativas, através de suas entidades representativas, mecanismos compensatórios poderão ser criados - apoio à pesquisa (educacional, de construção, ergonométrica, etc), à formação educacional, à prática de esportes, à profissionalização, ao cadastramento de portadores já qualificados profissionalmente, ao emprego na cadeia de fornecedores e muitos outros. Custa pouco e vale muito. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ A DuPont do Brasil S/A, faturamento de US$ 1,4 bilhão em 2000 e 1.200 colaboradores, criou programas afirmativos de valorização da diversidade, incluindo portadores de deficiência, mulheres e minorias étnicas. Para permitir a inclusão de portadores de deficiência física, a DuPont fez adaptações arquitetônicas e treinou colaboradores, para evitar a discriminação derivada da falta de informação. A partir de 2001, a DuPont integrou-se ao quadro de corporações associadas ao Centro de Integração Empresarial para Etnias e Grupos Historicamente Excluídos do Progresso Econômico do Brasil (Ciepeghepe), passando com isso a incluir entre os seus fornecedores pequenos e micro empresas de empresários portadores de deficiência ou afro-descendentes, certificadas pelo Ciepeghepe. AGENDA Hoje, das 8h30 às 10h30, no MAM (portão 3 do Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP), será apresentado o relatório da pesquisa "Perfil das diretorias das maiores empresas brasileiras". A pesquisa é o resultado de uma parceria entre o Instituto Ethos, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e a Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp). A pesquisa consolida resultados sobre gênero, raça, escolaridade, idade, tempo de trabalho na organização e outros dos executivos que ocupam cargos de diretoria nas maiores empresas do Brasil. Estão previstas as participações de Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos, Jaime Mezzera, diretor da OIT, Anna Peliano, coordenadora do Ipea, e Francisco Mazzucca, presidente da FGV-Eaesp. Paulo Márcio de Mello Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Correio eletrônico: paulomm@alternex.com.br

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