Mula sem cabeça

“É preciso ter claro que não haverá solução para esta crise sem que se avance nos processos de controle democrático, sobretudo, no controle do sistema financeiro, que virou uma mula sem cabeça.” O diagnóstico é do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, ao participar de debate no Fórum Social Mundial (FSM), promovido pelo portal Carta Maior, em Porto Alegre.

A bandalha do Paes
Cariocas que frequentam o Aeroporto Internacional Tom Jobim conhecem de longo tempo os infortúnios de conviver com as cooperativas que, por monopolizarem os serviços de táxi, cobram preços extorsivos em suas tabelas. Sabedores disso, os locais costumam marcam com cooperativas de sua confiança corridas para ir e voltar do aeroporto ou pegarem carona com parentes e amigos. Essas alternativas sempre irritaram os maus profissionais, que chegaram a espancar um colega que atuava fora do esquema, cena transmitida em rede nacional. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), porém, apropriou-se das imagens que indignaram o país para oficializar o monopólio, proibindo que táxis da preferência dos clientes ou carros particulares sequer circulem pelo local.

Padrão
A queda de três prédios no Centro histórico do Rio alertam que Paes, em vez de defender interesses de monopólios, deveria colocar em funcionamento os serviços de fiscalização da Prefeitura. A propósito, três meses depois da explosão que mandou pelos ares o restaurante Filé Carioca, há menos de dez minutos a pé da nova tragédia, alguém já foi punido?

Ganha, mas paga
Um leitor da coluna, viajante incansável pelos mais longínquos rincões do mundo, mas com má memória para nomes de pessoas e lugares, conta que, num país que visitou recentemente, engenheiros tinham especial predileção pelo trabalho de campo. Um dia descobriu o motivo: em troca de regalos, como diziam os locais, fechavam os olhos para irregularidades, desde grandes empresas a pequenos comerciantes. Quando dessa cumplicidade, porém, resultava alguma tragédia, o engenheiro ia para a cadeia. O leitor diz, que o Brasil, onde o DNA da honestidade, talvez, explique o nível de impunidade, deveria estudar o caso.

Pernas de fora
Com o Rio vivendo, ainda que, com atraso de um mês, um calor senegalês, funcionários do BNDES mobilizam-se por uma reivindicação, digamos, de mudança de costumes: a liberação do uso de bermuda por homens e mulheres durante o verão carioca. A mudança de traje, porém, teria um limite, seria permitido apenas na sobreloja, na FAPES e na garagem do banco.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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