Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as mulheres estão cada vez mais despontando no universo executivo, e se consolidando em posições muito relevantes. A constatação é feita pela diretora Comercial e Marketing da Delphos, Elisabete Prado que, apesar disso, aponta a necessidade de se avançar muito mais.
“Ainda temos uma longa caminhada para chegar ao equilíbrio. Tenho uma imensa frustração, por exemplo, com o fato de o governo ter tido que criar uma Lei (que não necessariamente é cumprida) para obrigar as Sociedades Anônimas de Capital Aberto a terem no mínimo 20% de mulheres em seus Conselhos de Administração. Isso significa que estamos muito abaixo desse percentual”, comenta a executiva.
Elisabete Prado revela que, na Delphos, as mulheres correspondem a 31% do efetivo. Admite que em termos absolutos, o número ainda é pequeno. Contudo ressalva que a empresa tem mulheres em posições muito relevantes, como, por exemplo, na coordenação das áreas de gestão de processos, Jurídica, RH, Segurança da Informação, Compliance e LGPD.
Acredita que apesar dos avanços, ainda é preciso evoluir bastante em questões como a que envolve mulheres desempenhando cargos de comando em um ambiente predominantemente masculino. “Conheço mulheres talentosíssimas, com oportunidades reprimidas, e com níveis de subordinações muito desequilibrados”, acentua.
Elisabete relata que conseguiu conquistar espaços e ser reconhecida pela qualidade do seu trabalho. Mas admite que “talvez seja uma iluminada ou um ponto fora da curva” por nunca ter enfrentado qualquer problema de aceitação. “Desde a minha primeira promoção, quando passei de analista de sinistros para encarregada de departamento, até hoje, na Diretoria da empresa e substituta eventual do presidente em suas férias nunca tive que lidar com nenhum tipo de rejeição. As coisas foram acontecendo de forma natural, no devido tempo, e sempre com muita colaboração por parte das equipes que liderei”, acrescenta.
A trajetória profissional de Elisabete Prado começou cedo, na década de 1980. Era muito jovem e recém-formada em Ciências Atuariais, carreira que, naquele tempo, era predominantemente masculina”, quando escolheu a Delphos porque desejava ingressar no mundo dos seguros e” transitar pelos diferentes ramos que, até então, só conhecia de forma acadêmica”.
Entre os desafios enfrentados no início, ela cita a necessidade de ser “percebida”, uma vez que ficava na sucursal de São Paulo, longe da sede da empresa, no Rio de Janeiro, onde estava o “board” (100% composto por pessoas do sexo masculino). “Com mais de 400 colaboradores, quem é que iria prestar atenção em uma menina, contratada para compor um departamento de sinistros?”, indaga.
Mas, ela foi percebida e, então, o desafio passou a ser como criar valor no serviço que realizava, de forma que fizesse alguma diferença. Além disso, lembra que, a partir dessas diferenças criadas, o dilema era fazer “sempre um pouco mais, de forma a consolidar uma carreira pautada em credibilidade e competência”.
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