Mundo da lua

     
          Comunicado da Gol distribuído ao mercado nesta quarta-feira destaca o “aumento da produtividade, com taxa de utilização das aeronaves de aproximadamente 13 horas-bloco diárias enquanto que em julho de 2009, ficou próximo de 12 horas (sic)”. Tradução: maior lucro, com a utilização do mesmo número de trabalhadores para voar mais. Consequência: passageiros desesperados em terra implorando por um vôo.
E a companhia ainda se gaba das “vantagens competitivas” com a maior “frequência e regularidade para os principais aeroportos”.

Eles odeiam o crescimento
As críticas orquestradas contra o BNDES culpando o banco pelo aumento dos gastos públicos e até por impedir a queda da taxa básica de juros (Selic), por realizar empréstimos a juros subsidiados, via Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), não é apenas um ataque à instituição e a sua direção. Trata-se, na verdade, de uma tentativa dos eternos conspiradores contra o crescimento do Brasil de retomarem a hegemonia após o abalo dos dogmas que norteiam a política econômica há cerca de duas décadas depois do estouro da crise internacional. Para isso, miram na principal fonte de investimentos produtivos.
Nos próximos dias, o BNDES deve divulgar documento, mostrando que a ampliação da oferta de empréstimos durante a crise saiu mais barato do que o aprofundamento da recessão que adviria do empoçamento do crédito custaria em termos de perda de receita.
Embora esse argumento reforce a justeza da ação do banco, o mais importante é debater o papel de uma instituição que tem orçamento superior ao do Banco Mundial (Bird). Se deve servir para cevar a privataria, como ocorreu fortemente durante a era tucana e, acessoriamente, no Governo Lula, em relação ao financiamento de concessões de rodovias, ou estar a serviço do desenvolvimento, financiando a ampliação da produção e a geração de empregos.
Esse é o debate, do qual deveriam participar os candidatos. O resto é moralismo seletivo, que, por óbvio, exclui a questão dos créditos com dinheiro público destinados a grupos, inclusive de comunicação, que, apesar da estadofobia do seu noticiário, não abrem mão de empréstimos subsidiados.

Restrito, porém, útil
Em tempo, a coluna não ignora que, no essencial, o BNDES serve aos grandes grupos econômicos e que, raramente, o pequeno e médio empresários têm acesso às taxas de juros mais camaradas do banco. No entanto, a luta pela democratização do uso do crédito do BNDES não pode ser instrumentalizada para travar o crescimento do país, para o qual o  financiamento da produção exercido pela instituição, ainda que limitado a frações do capital, cumpre papel importante.

Cuca fresca
Inverno menos rigoroso e recuperação da economia fizeram a empresa de ventiladores de teto Spirit alcançar aumento de 25% nas vendas em relação ao inverno de 2009. A companhia investiu para o verão de 2011 cerca de U$$ 1,5 milhão em quatro novos produtos de ventilador torre e em produtos de teto com controle remoto.

Segunda onda
Existe a chance de uma nova recessão nos EUA? É com esta chamada que a Fecomercio-SP e a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) divulgam um café da manhã com o presidente do Federal Home Loan Bank of Atlanta, William Handorf. O debate Perspectivas da Economia dos Estados Unidos acontecerá nesta sexta-feira, na sede da Federação (Rua Dr. Plínio Barreto 285 – Bela Vista, São Paulo).

Democracia hondurenha
Grupos de direitos humanos de Honduras denunciam que a repressão deflagrada pelo Governo Lobo contra a Universidade Nacional Autônoma de Honduras recrudesceu, incluindo a prisão de Juan Carlos Gutierrez e Tomasa Morales pelas forças especiais antimotim Cobras. Além disso, três estudantes gravemente feridos pela ação da polícia foram hospitalizados. Até agora, as organizações de direitos humanos já recolheram cerca de 20 cápsulas de bombas de gás lacrimogênio atiradas contra os estudantes pela Cobras, que mantém suas tropas nas imediações da universidade.
     
     

Artigo anteriorNem aí
Próximo artigoAlinhamento
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Cortes poupam petroleiras e ‘bolsa refrigerante’

Para liberar auxílio emergencial, governo prejudica setores essenciais.

Inflação e PIB expõem falácia do Teto dos Gastos

‘Faz sentido?’, pergunta Paulo Rabello. ‘Claro que não’.

Mirem-se nos exemplos da Shell e da Exxon

Petrobras é fundamental para o desenvolvimento brasileiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Investimento chinês em pesquisa aumentará 7% ao ano até 2025

País divulga 14º Plano Quinquenal; desde 1953, PIB cresceu 1.232 vezes.

FMI: orçamento deve atender direitos das mulheres

No Egito, por exemplo, houve mais recursos para serviços públicos de creche.

Planos registram maior número de beneficiários desde dezembro de 2016

Dados de janeiro foram divulgados hoje pela ANS e confirmam tendência de crescimento no país.

MP-RJ pede júri popular para Flordelis e mais oito réus

Deputada é acusada de mandar matar o marido; 11 réus respondem ao processo, mas o MP pediu para não se pronunciar sobre dois deles.

Payroll de fevereiro surpreendeu positivamente as expectativas

Soma-se às surpresas a revisão no número anterior de 49k para 166k e, principalmente, a criação de vagas no setor privado em 465k.