Mundo está morrendo por ‘baixa humanidade’

Sejamos humildes o suficiente para entender que a Natureza pediu socorro.

Cerca de 1,4 milhão de pessoas já morreram em todo o mundo e 63,5 milhões foram infectadas pelo novo coronavírus. Os Estados Unidos lideram o ranking de mortos e infectados. O Brasil vem em seguida. A primeira morte por Covid no Brasil ocorreu em 17 de março. Era uma aposentada de 62 anos, com histórico de diabetes.

Assim como nas outras epidemias registradas ao longo da História, o mundo já não é mais o mesmo depois da Covid-19. As relações pessoais mudaram, estão mais distantes, menos sinceras, mais protocolares e formais. O amor já não é mais o mesmo em tempos de cólera. Os contratos de trabalho mudaram de forma e de conteúdo.

Empresas quebraram, milhões perderam seus empregos, suas casas, seu ganha-pão, a corrupção pública explodiu, os aventureiros de plantão estão mais ricos e mais impunes, as cidades estão repletas de lojas fechadas, destruídas como num cenário devastado pelas guerras, e sem-tetos se amontoam nas ruas e calçadas porque já não têm como pagar os aluguéis, não têm emprego, não têm o que comer.

As estatísticas mostram aumento da criminalidade, especialmente dos furtos e crimes violentos, das agressões domésticas e das separações de casais. Os hospitais públicos estão à beira da falência e os médicos estão morrendo. A natureza, para mostrar que o homem não faz parte da paisagem, está mais limpa, mais bonita, as águas dos mares, rios e oceanos estão mais azuis, o céu está mais claro e muitas espécies de animais estão voltando ao seu habitat porque ali já têm o que comer e como procriar e criar os seus filhotes.

As cidades estão mais calmas, silenciosas e limpas. Parece que o relógio do tempo está andando mais devagar e as pessoas têm agora mais tempo para refletir em como tudo isso é fugaz, transitório, efêmero. Ainda não dá pra saber se o mundo mudou para melhor ou para pior. Dá pra saber que mudou. É como se alguém com um imenso poder parasse a roda do tempo e obrigasse as pessoas a corrigirem o rumo de suas vidas e a do próprio planeta.

Deus queira que todos nós sejamos humildes o suficiente para entender que a Natureza pediu socorro, que está com o útero de fora, sangrando e pedindo a alguém para estancar a hemorragia. Deus queira.

Enquanto isso, é bom não esquecer que, mesmo doente, esta nossa casa, a única que temos, continua girando em torno de si mesma a uma velocidade de 1.666 quilômetros por hora, e em torno do Sol a 100.000 quilômetros por hora.

Oremos para que ela não erre o caminho e continue sempre assim, em torno do Sol. Oremos para nenhum outro planeta maior e mais pesado atravesse o nosso caminho. Porque, no fundo, este planetinha não está sofrendo o que está sofrendo apenas por causa da Covid-19.

As pessoas não estão morrendo porque a Covid-19 as pegou com “baixa imunidade”. Mas o mundo está morrendo porque está sofrendo de “baixa humanidade”.

Leia mais:

Era uma vez um planeta que virou pó

Politicamente correto está deixando mundo pateticamente chato

Mônica Gusmão
Professora de Direito Empresarial, do Consumidor e do Trabalho.

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