Mão única

Mais do que discursos, os números dados ajudam a materializar as relações assimétricas que marcam a globalização. Um das principais organizações do país, com cerca de cem empresas – incluindo hotelaria, agropecuária, mineração, telecomunicações, construção civil, imobiliário e financeiro – a Globo faturou cerca de US$ 6 bilhões ano passado. Esta cifra, porém, equivale a apenas 40% do faturamento da Viacom, quinta colocada no ranking das empresas de telecomunicações dos Estados Unidos.
Mão única II
Com mercados saturados em seus países de origem, os gigantes norte-americanos têm tocado o bumbo da desregulamentação para compensar o fraco crescimento de receita nos EUA. Entre 1992 e 1997, por exemplo, a Disney cresceu 27,5% em outros países e apenas 14,5% nos EUA. O mesmo ocorreu com a Time Warner, cuja receita teve incremento de 31,4% no exterior e de somente 12,6% em seu país de origem.

Dependência
Com a previsão de fechar o ano com déficit de cerca de US$ 25 bilhões nas contas externas, o Brasil exibe hoje a desconfortável condição de detentor do segundo maior déficit externo do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que encerraram o primeiro semestre com rombo de US$ 177,6 bilhões em suas transações com o exterior. A colossal diferença, no entanto, conta pouco devido a pequeno, mas fundamental detalhe: diferentemente dos EUA, o Brasil não produz dólar.
Diante da forte dependência estrutural do país de capital externo, a ligeira melhora na situação das contas externas nos 12 meses encerrados em julho, quando o déficit recuou para 3,88% do PIB, contra 3,96% do PIB, não deixa tranqüilo nem os mercados nem muito menos os brasileiros de carne e osso.

Grampo
Mais do que as normas de ética baixadas por FH, o que assustou os amigos da corrupção em Brasília foi uma mensagem emitida ontem, por volta de 16h30, pela central da Americel, operadora de telefonia celular da Banda B no Centro-Oeste. “Oi turma, eu descobri como se faz um grampo tecnológico”, dizia um dos funcionários na gravação feita na caixa postal de 10 mil assinantes de celulares. A operadora divulgou nota oficial sobre o ocorrido e afastou os dois técnicos envolvidos. De acordo com a empresa, tratava-se de um teste entre plataformas realizado pelo setor técnico, que por engano foi parar nas caixas postais dos clientes.

Fumaça de casa
O presidente da Souza Cruz, Flávio de Andrade, dá modesta contribuição pessoal para o aumento das vendas da empresa, que atingem 5,4 milhões de maços de cigarro por dia ou cerca de 2 bilhões de maços por ano. Ele revelou ontem a jornalistas que consome apenas um maço de cigarro por dia ou 365 maços/ano. Trabalhando onde trabalha, Andrade deve saber o que faz.

Campanha
Octavio Gomes, candidato à Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Rio, pela Chapa Azul, inaugura hoje seu comitê eleitoral. Será às 19h, na Av. Franklin Roosevelt, 39/1506. O telefone do comitê é 220-6528.

Carona
Acuado pelas denúncias de corrupção que pipocam contra o governo, o tucanato está querendo fazer do limão a limonada. Ou seja, em vez de apurar fundo as denúncias, usar sua repercussão junto à opinião pública para fazer política fiscal. O corte automático de verbas para obras nas quais sejam detectadas irregularidades e para os fundos constitucionais, como o Finor, tem como objetivo transferir recursos do Orçamento para o serviço da dívida.

Guerra quente
Fonte da Marinha da Rússia confirma a versão de que o submarino Kursk colidiu com outra nave. O cruzador russo da classe slava Pedro, O Grande teria recolhido no sábado, 12 – dia do acidente – duas bóias de sinalização de submarinos nas cores verde e branca (cores britânicas; as russas são vermelhas e brancas). Segundo essa fonte, também teriam sido recolhidos destroços do que seriam os restos de uma asa estabilizadora de proa de um outro submarino – possivelmente britânico – e que essa nave, algumas horas depois, teria se retirado do local. Teria havido colisão tangencial entre este segundo submarino, que estaria espionando as manobras navais russas, e o Kursk. A Marinha britânica nega que tivesse submarinos na região.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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