Música: 86% dos músicos tiveram prejuízos com o coronavírus

Cerca de 30% dos trabalhadores do setor perderam toda a sua renda neste período.

Conjuntura / 17:10 - 18 de nov de 2020

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Sentiram no bolso a paralisia do mercado 86% dos 883 músicos, compositores, intérpretes, produtores e outros profissionais da música que responderam ao questionário e representam, com margem de erro de cinco pontos, o universo musical nacional. E um número similar, 83%, não pretende abandonar sua carreira. Os dados são da Pesquisa Músicos e Pandemia, da parceria entre a UBC com o cRio, o think tank da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Segundo o estudo, o perfil desses profissionais, condizente com a média nacional, é majoritariamente de homens (85%), de 31 a 50 anos (52%) e com ensino médio (29%) ou superior (28%). Instrumentistas, cantores e compositores são os profissionais mais comuns da cadeia produtiva, e a faixa de renda mínima que eles disseram necessitar para se manter varia, sobretudo, entre R$ 2 mil (24%) e R$ 3 mil (20%). Entre todos, 56% trabalham unicamente com a música, preocupantes 30% disseram ter perdido toda a sua renda durante a pandemia, e 56% disseram não ter qualquer renda (ou só 10%) oriunda de apresentações ao vivo durante a pandemia.

As carreiras mais prejudicadas pela pandemia foram as de instrumentistas (49%), intérpretes (49%) e compositores (35%), seguidas por produtores fonográficos (25%) e, em menor medida, arranjadores, professores de música, empresários, empregados de editoras e selos e roadies.

Sobre a faixa de renda mínima para sobreviver, as pessoas que responderam à pesquisa disseram, majoritariamente, que precisam de entre R$ 2 mil (24%) e R$ 3 mil (20%) mensais.

Um dado esperançoso: entre os que disseram que diversificarão suas áreas de atuação sem deixar a música (53%) e os que a manterão como sua única fonte de renda (30%), a esmagadora e resiliente maioria de 83% garantiu que seguirá na área. Mas 15% pretendem diminuir a atuação na música e abraçar outras áreas paralelamente.

"Isso casa com os 33% que já tinham outra atividade fora da música antes da pandemia. As pessoas que se enveredam por essa difícil escolha da música como profissão têm, sobretudo, um grande amor pela arte. Enfrentam as dificuldades, não conseguem se manter totalmente com ela, mas não desistem", analisa Giovani Marangoni, coordenador da pesquisa.

Para ele, os resultados permitem constatar uma vinculação muito grande dos artistas da música com os shows. "Como essa atividade foi a primeira a parar e está sendo a última a voltar durante a pandemia, o impacto financeiro sobre o setor é muito grande. Outra coisa que percebemos é que muitos passaram a fazer lives, acreditando que ganharão dinheiro com isso."

Isso se deveria às vaquinhas virtuais e a outros canais de contribuição direta do público ligados às transmissões. "26% disseram que artistas de média ou grande popularidade poderão ganhar dinheiro com as lives. Os grandes a gente entende, por conta das suas estruturas. Mas 14% incluíram também os pequenos entre os potenciais beneficiados. Há um encaminhamento acontecendo, que permite a artistas não vinculados a grandes selos terem suas produções inseridas no mundo digital, também nas grandes lojas. Os músicos de pequeno porte também podem estar lá. É o princípio de uma abertura, ainda não uma democracia, mas já um início de entrada."

Diretor-executivo da UBC, Marcelo Castello Branco também destacou o componente educativo e informativo do trabalho. "Os efeitos devastadores da pandemia fizeram muitas vítimas na cadeia produtiva da música. A pesquisa retrata isso e suas perspectivas futuras. Temos que seguir olhando para a frente, construindo soluções coletivas e solidárias. São estes a prioridade e o olhar da UBC."

Para Marangoni, coordenador da pesquisa, os resultados permitem constatar uma vinculação muito grande dos artistas da música aos shows. "Como essa atividade foi a primeira a parar e está sendo a última a voltar durante a pandemia, o impacto financeiro sobre o setor é muito grande. Outra coisa que percebemos é que muitos passaram a fazer lives, acreditando que ganharão dinheiro com isso. Mas uma boa parte crê que quem mais lucrará serão os grandes nomes do mainstream."

Ainda de acordo com Marangoni, é interessante destacar que mais de 80% não pretendem abandonar a música apesar das dificuldades, um sinal inequívoco de resiliência. Mas 15% pretendem diminuir a atuação na música e abraçar outras áreas paralelamente. "Isso casa com os 33% que já tinham outra atividade fora da música antes da pandemia. As pessoas que se enveredam por essa difícil escolha da música como profissão têm, sobretudo, um grande amor pela arte. Enfrentam as dificuldades, não conseguem se manter totalmente com ela, mas não desistem."

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