Não mudar para tudo seguir como está

Esta coluna lamenta desiludir os que acreditam que o Brasil está sendo passado a limpo pela Lava Jato. A operação limpeza não está ocorrendo, e isto não apenas pela diferença de velocidade e de vontade entre as investigações da Lava Jato que envolvem integrantes da esquerda e acusados de outras tendências, especialmente o PSDB. Há fatos, vários, que mostram não só a continuidade do que foi exposto pela operação, como também a tentativa de sua perpetuidade. Exemplo em pauta, a reforma política engendrada no Congresso. Não se trata nem ao menos de tentar limpar o passado e começar a jogar pelas novas regras; a tentativa é evitar as punições do que foi feito e garantir que não ocorram no que se vai fazer. Nada de estranho, tendo à frente do governo e do parlamento as figuras que lá se encontram.

Não serão autointitulados super-heróis que trarão soluções simples, pois estas não existem. A crença arraigada na sociedade de que um líder messiânico nos levará à terra prometida não passa disso – uma crença. Mudanças que deixem o Brasil mais ético são parte de um processo, que terá avanços e recuos. Que passa também por uma remodelação do país, com redução da injustiça e desigualdade social, com maior participação. Sem isto, só restará desilusão.

 

Cortina de fumaça

Um jornal publicou que 30% dos países não têm financiamento público de partidos, nem de campanha. Olhado por lentes menos embaçadas, significa que 70% utilizam um ou outro – ou ambos. Neste rol estão Estados Unidos e Canadá, quase toda a Europa e a América Latina. Sem qualquer dinheiro público na jogada, figuram Itália, Suíça e um punhado de países da África e da Ásia. Ah, também a bolivarianista Bolívia.

Mesmo onde não há uma verba específica para campanhas, o dinheiro usado para os partidos acaba beneficiando os candidatos. Mas há limites e incentivos a doações privadas.

Assim, a discussão que pulula na grande mídia no Brasil, com a divulgação da elevada soma de R$ 3,6 bilhões, parece, antes de tudo, destinada a trazer de volta o financiamento de campanhas pelas empresas, fonte de favores, corrupção e disfarce para as vultuosas quantias via caixa 2.

 

Poliana

A divulgação da prévia do PIB pelo Banco Central – alta de 0,25% no segundo trimestre sobre mesmo período do ano anterior e de 0,06% no ano – levou o Estadão a estampar a manchete: “Índice do BC aponta que economia teve melhor 1º semestre desde 2014”. Depois de dois anos de recessão, não chega a ser motivo de comemoração. Aliás, em 12 meses, mesmo na prévia dessazonalizada do BC, a produção brasileira desabou mais 1,82%.

 

Cibercrime

Investimentos em segurança da informação consomem cerca de 10% do orçamento de TI de uma empresa. Porém, a Real Protect estima que mais de 70% das companhias estão despreparadas para enfrentar ataques cibernéticos. Um dos principais erros é achar que a aquisição de equipamentos e softwares é suficiente para garantir a segurança dos dados, esquecendo que é necessária dedicação de profissionais capacitados, além de monitoramento contínuo e atualizações constantes. Pesquisa realizada pela consultoria Gartner, aponta que, até 2019, mais de 50% das operações de segurança nas empresas serão feitas com algum tipo de gerenciamento de segurança terceirizado.

 

É tudo com P

Michel Temer recebeu o presidente do Paraguai, Horacio Cartes. A importância do encontro pode ser resumida pela saudação que o brasileiro fez a seu colega “de Portugal”.

 

Rápidas

A Fundação Getulio Vargas realiza nesta quarta-feira, em parceria com o Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, o seminário Isop: Pioneiro da Psicologia, das 9h às 17h30, na FGV Candelária, no Centro do Rio *** Comportamento do Eleitor – Como Construir Campanhas Vencedoras é o curso que a ESPM realizará em 13 de setembro, através da plataforma EAD. Inscrições pelo site http://www2.espm.br/cursos/ead/o-comportamento-do-eleitor-de-2018-e-como-construir-campanhas-vencedoras *** O IAG – Escola de Negócios da PUC-Rio realiza nesta quinta-feira, às 19h, a palestra “Transformação Digital e a Era Cognitiva – Transformando Pessoas e Profissões”, ministrada pelo CEO da IBM no Brasil, Marcelo Porto. Inscrições pelo site http://bit.ly/IBMnoIAG *** Com o objetivo de promover e divulgar os mecanismos de fomento à inovação para as indústrias, a Fiesp realiza o seminário Ferramentas de Apoio para Inovar nas Indústrias, nesta terça-feira, das 9h às 13h. O ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, participará do encontro.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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