Na briga governadores x Bolsonaro, Guedes sai ileso

Maia cobra MP em que União assume complementação de salários.

Política / 23:22 - 25 de mar de 2020

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Jair Bolsonaro bateu boca com João Doria Jr., de São Paulo, em reunião virtual entre os governadores do Sudeste e o presidente, na manhã desta quarta-feira. À tarde, todos os chefes dos executivos estaduais se reuniram, também online, e reafirmaram a autonomia para decidir sobre isolamento social e quarentena.

A polêmica estabelecida é entre manter as regras de confinamento, defendidas pelos secretários e até pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ou liberar comércio, serviços e indústrias, pensando em evitar danos à economia.

Ausente da polêmica, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não foi questionado pelos governadores. Sem uma atuação firme do Governo Federal, como vêm fazendo os países da Europa e os Estados Unidos, com ajudas a empresas e garantia de salários a trabalhadores, a crise econômica se agravará. No fundo, a discussão quarentena x empresas esconde uma falsa polêmica.

Coube ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que participou da reunião à tarde com todos os governadores, cobrar da União o envio de medida provisória que permitirá a suspensão de contratos de trabalho, com compensação de salários utilizando recursos públicos. Maia afirmou que, se o Ministério da Economia não enviasse o texto ainda nesta quarta-feira, o Congresso iria legislar sobre o tema.

A demora só agrava um quadro recessivo que vem se arrastando há cinco anos no Brasil, a reboque das políticas monetaristas. A situação piora com a crise global. O economista britânico Michael Roberts lembra que a economia mundial já estava entrando em recessão antes da pandemia. O Japão estava em recessão; a Zona do Euro estava próxima disso, e o crescimento dos EUA diminuíra para menos de 2% ao ano.

Para Roberts, mesmo que as economias se recuperem no segundo semestre de 2020, quando os bloqueios terminarem, ainda haverá uma queda global. “É uma esperança vã que a recuperação seja rápida e acentuada no segundo semestre deste ano”, analisa

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