Na busca de apenas prestar satisfação para a

Acredite se Puder / 18:06 - 20 de mai de 1999

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sociedade brasileira, o crativo senador João Alberto desenvolveu o jogo "Onde está Wally Cacciola?". No primeiro da série, o contribuinte brasileiro, depois de examinar profundamente os contratos para a instalação da Teletrust de Recebíveis S.A., descobriu que Wally Cacciola não faz parte da sociedade. Em compensação, verificou que o banco do personagem, como poderia ter sido qualquer outra, antes da desvalorização cambial, foi a instituição responsável pela colocação das séries de debêntures da Teletrust, legalmente registradas na Comissão de Valores Mobiliários. E que um participantes da empresa, Roberto Cruz Moyses, ex-cunhado de Cacciola, possui apenas 10% das ações ordinárias e 45% das preferenciais, o que totaliza 19% do capital. O jogo "Onde está Wally Cacciola?" é perigoso e já começa a preocupar o contribuinte, pois incomoda cidadãos que não participaram da bandalheira financeira do último verão. Um dos mais afetados é Mauro Sérgio de Oliveira, um dos mais respeitados analistas brasileiros e que já ocupou a presidência da Abamec. Na década de 80, Mauro Sérgio se especializou, criou a Oliveira Trust e adquiriu credibilidade para assumir a liderança como o agente fiduciário das debêntures emitidas pelas companhias brasileiras. Se tornar o profissional preferido das empresas abertas brasileiras. mas se transformou em objeto de inveja. E por precipitação da CPI, agora está exposto à mídia. O grande problema do jogo "Onde está Wally Cacciola?" é que, se os membros da CPI ou do MP não provarem que o personagem estava em determinados locais, o contribuinte brasileiro arcará com as despesas, pois elevadas indenizações serão pleiteadas por todos aqueles que foram injustamente incomodados. E o estado da senadora Marina Silva, que é pobre, ficará mais pobre ainda. No intenso esforço de condenar o ex-dono do Marka, os membros governistas da agora CPI das Lendas Urbanas consideram estranho que grande número de empresas, com o mesmo objeto social, possuam o mesmo endereço na Rua Álvaro Alvim, Centro do Rio. Por causa disso, suspeitam de que Cacciola e seus parceiros estejam envolvidos em esquema de sonegação. Aparentemente, tal pista não levará a nenhuma descoberta. A descoberta principal será que muitos grupos criam várias empresas, mas para reduzir custos, utilizam uma única instalação. A Prefeitura não cria obstáculos e a Receita Federal concede a inscrição. Não existe crime. O MF descobriu que na Av. Brigadeiro Faria Lima, 3064, 12 andar, São Paulo, ou seja, no mesmo endereço, estão instaladas 19 empresas de participações: Pilcomayo, Gruçaí, Saquarema, Pati Alferes, Iriri, Piuma, Poconé, Pirajú, SPEL, LF TEL, SFSPV, Amari, Actori, Avidus, Altere, Albae, Alium, Aetatis e Aditus. Depois disso, o que fará o relator? Criará a CPI das Participações? Os contribuintes brasileiros estão cada vez mais decepcionados, com a atuação de alguns membros governistas da comissão dos bancos para impedir que haja a descoberta daqueles que realmente se beneficiaram das informações privilegiadas e ficaram com o dinheiro dos brasileiros. Depois do gasto de milhões de reais para a instalação dos sistemas das TV Câmara e Senado, foi inexplicável a posição do senador João Roberto Arruda em batalhar para Everardo Maciel prestar depoimento em sessão reservada. O depoimento do secretário da Receita Federal foi excelente, uma aula para qualquer brasileiro. Revelou as formas como são causados os prejuízos à Nação pelas grandes empresas brasileiras. E colocou nas mãos dos senadores a responsabilidade da correção das brechas na legislação.

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