Na contramão do mundo, Ibovespa tem forte queda com preocupação fiscal

São Paulo encerrou o pregão de ontem em forte queda de -2,41%, aos 94.666 pontos, menor patamar desde junho.

Opinião do Analista / 11:42 - 29 de set de 2020

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O que pode impactar o mercado hoje - O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em forte queda de -2,41%, aos 94.666 pontos, menor patamar desde junho. O movimento em sentido oposto ao das Bolsas globais refletiu o sentimento de aversão a risco de investidores após o governo divulgar a proposta de financiamento do programa Renda Cidadã. O dólar comercial subiu 1,79%, aos R$5,635, e as taxas futuras de juros dispararam no dia de ontem. Na visão do mercado, a proposta representa risco fiscal ainda maior, mesmo que a princípio o teto de gastos seja mantido, o que elevou a inclinação da curva. DI janeiro de 2021 fechou em 2,01%; DI janeiro de 2023 encerrou em 4,93%; DI janeiro de 2025 fechou em 6,65%; e DI janeiro de 2027 foi para 7,65%.

A solução proposta pelo governo foi a de custear o programa social ao se restringir recursos destinados ao pagamento de precatórios pela União. Mais especificamente, a proposta a ser apresentada como parte de uma emenda constitucional sugere que a União passe a limitar o pagamento de precatórios à 2% de sua receita corrente líquida, usando a diferença para suplementar o orçamento do Bolsa Família de modo a financiar o Renda Cidadã.

No Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2021, o governo reservou R$ 34,8 bilhões para o programa, um aumento de 18% em comparação com os valores previstos para este ano. Foi também anunciada a sugestão de alocar 5% do total da complementação da União ao Fundeb (fundo constitucional destinado ao financiamento da educação básica) - recentemente ampliada por decisão legislativa. A reação do mercado foi negativa e reflete a deterioração do risco fiscal em face das escolhas de políticas pelo governo. Mais detalhes sobre a proposta podem ser encontrados em relatório preparado pelo nosso time de macroeconomia.

Ainda em economia, de acordo com os dados divulgados pelo Banco Central ontem, em agosto de 2020, apesar da redução marginal das concessões de crédito às empresas (já esperada, devido ao efeito base forte nos meses anteriores), o quadro creditício permaneceu bastante estimulativo. As taxas de juros, os spreads e as taxas de inadimplência seguiram em patamares historicamente baixos (principalmente para financiamentos imobiliários) e os estímulos continuaram se mostrando bem-sucedidos na tentativa de "chegar na ponta" e reduzir os impactos trazidos pela pandemia. A agenda de indicadores e eventos do dia traz como destaques a divulgação da inflação medida pelo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) de setembro e do resultado primário do Governo Central.

Na frente internacional, Bolsas globais operam em direções mistas, com futuros do S&P 500 estáveis, Bolsas asiáticas em território levemente positivo e Bolsas europeias em leve queda. O noticiário global aponta para um movimento de maior cautela de investidores com relação a um anúncio de pacote de estímulos mais reduzido nos EUA ao mesmo tempo que o número de vítimas fatais da Covid-19 atingiu 1 milhão de pessoas.

Focando nos EUA, representantes do Partido Democrata divulgaram ontem a mais nova proposta do partido para um pacote de estímulo à economia americana com impacto de US$ 2,2 trilhões. A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, conversaram ontem e devem se reunir nesta terça-feira para continuar as negociações. Ainda sobre os EUA, o primeiro debate presidencial entre os candidatos Joe Biden e Donald Trump será realizado hoje as 22h (horário de Brasília) (Assista aqui).

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