Na ditadura, cresceram desigualdade, inflação e dívida

A paralisação dos caminhoneiros abriu espaço para as viúvas da ditadura militar. Defendem que nunca na história o Brasil teve crescimento econômico tão elevado e prolongado. Um atentado contra a verdade. De 1964 a 1984, durante o regime militar, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento médio anual de 6,29%. A produção per capita aumentou 3,64%. Nas duas décadas anteriores, entre 1946 e 1963, o PIB cresceu muito mais: média de 7,12% ao ano, segundo as estatísticas do IBGE. A população brasileira ficou mais rica a uma taxa média de 4,09% ao ano.

Ainda que o crescimento na ditadura tenha sido robusto, porém inferior ao período antecedente, foi marcante a concentração de renda, que disparou durante o regime militar. No índice de Gini, que vai de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, pior), a concentração saltou de 0,54, em 1960, para 0,63 em 1977. • O valor real do salário mínimo despencou. No final dos anos 70, eram necessárias 153 horas de trabalho para ganhá-lo, contra 65 horas em 1959. Alguém aí, mais velho, lembrou a frase “É preciso fazer o bolo crescer para depois reparti-lo”, do todo poderoso ministro Delfim Netto?

Com a crise do petróleo de 1974 e o fim do milagre econômico, a inflação beirava os 100% ao ano no final da década de 1970.• A dívida externa do Brasil quadruplicou, passando de US$ 3,7 bilhões, em 1968, para US$ 12,5 bilhões em 1973. O país foi às cordas e o governo militar teve que recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

Pra frente, Brasil

Mas o crescimento médio em torno de 6% trouxe alguns efeitos positivos. Entre 1970 e 1980, fase final da ditadura militar, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aumentou de 0,462 para 0,685 (quanto mais perto de 1, melhor).

A expectativa de vida da população aumentou nove anos na década de 1970. A taxa de mortalidade infantil caiu de 131 mortes a cada 1.000 nascimentos, em 1965, para 113, dez anos depois. Nesse mesmo período, o total de domicílios com saneamento básico cresceu 150%.

 

Autocrítica?

Grevistas e militaristas se juntam quando chega a zero a credibilidade da política. Democratas do Brasil, uni-vos”. O chamado foi feito pelo advogado Miguel Reale Jr., sobre o flerte da paralisação dos caminhoneiros com a intervenção militar.

Reale Jr. foi autor do pedido de impeachment que resultou na destituição da presidente eleita Dilma Rousseff e sua substituição pelo atual governo.

 

Veneno

Comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o chamado Projeto de Lei do Veneno (PL 6.229/200) cancelou a reunião prevista para esta terça-feira, onde tentaria votar esta nova lei dos agrotóxicos. Essa comissão é composta majoritariamente por deputados da bancada ruralista.

Na segunda, a Abrasco e a Associação Brasileira e Agroecologia, com o apoio da Fiocruz, entregaram ao deputado federal Alessandro Molon (RJ) o “Dossiê Científico e Técnico contra o Projeto da Lei do Veneno e a favor do Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos”. Molon é o relator da comissão especial instalada na Câmara.

 

Sem fila

Lojas de operadoras de telefonia fixa e celular em São Paulo têm um tempo máximo de espera para o atendimento de seus clientes de 15 minutos (em véspera de feriados, de 25 minutos). A Lei 16.725/2018, de autoria do deputado estadual Sebastião Santos (PRB), foi sancionada pelo governador e publicada em 23 de maio no Diário Oficial do Estado.

O descumprimento da lei sujeitará a empresa a multa no valor de 250 Ufesps (R$ 6.425), que poderá ser dobrada em caso de reincidência.

 

Rápidas

Marcos Dessaune, autor do livro Teoria aprofundada do desvio produtivo do consumidor – o prejuízo do tempo desperdiçado e da vida alterada, estará na sede da OAB/RJ na próxima segunda-feira para falar sobre essa teoria *** Nesta quarta-feira, a partir das 18h, o West Shopping promove mais uma edição do Baile da Boa Idade *** E já começam as festas juninas. O projeto Shows de Sexta do Caxias Shopping (RJ) vai homenagear o ritmo que dá o tom das comemorações. Até 22 de junho, shows gratuitos de forró. No dia 1º será o Trio Baião Lunar *** O 9º Encontro Anual da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) ocorrerá de 7 a 9 de junho, em Belo Horizonte (no Hotel Mercure Lourdes). Os temas irão de famílias plurais a fake news. A plenária de encerramento terá a participação da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo. Mais informações em www.aasp.org.br

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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