Na ONU, Lula aponta aumento da desigualdade e cobra mudanças

Secretário-geral da ONU vê um mundo dividido, com aumento da desigualdade e instituições fracas

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lula e antónio guterres
Lula e António Guterres (foto de Ricardo Stuckert, PR)

Combate à fome e à desigualdade foram o centro do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao abrir a 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na manhã desta terça, em Nova York.

Ele defendeu na ONU a adoção de medidas urgentes contra mudanças climáticas e a reforma de instituições de governança global.

“O mundo está cada vez mais desigual. Os 10 maiores bilionários possuem mais riqueza que os 40% mais pobres da humanidade. É preciso antes de tudo vencer a resignação, que nos faz aceitar tamanha injustiça como fenômeno natural.”

lula discursa na 78 assembleia geral da onu sobre aumento da desigualdade, fome e ods
Lula discursa na 78ª Assembleia Geral da ONU (foto de Ricardo Stuckert, PR)

“Os países ricos”, afirmou Lula, “cresceram baseados em um modelo com altas taxas de emissões de gases danosos ao clima”. Assim, “não é por outra razão que falamos em responsabilidades comuns, mas diferenciadas. São as populações vulneráveis do Sul Global as mais afetadas pelas perdas e danos causados pela mudança do clima. Os 10% mais ricos da população mundial são responsáveis por quase a metade de todo o carbono lançado na atmosfera. Nós, países em desenvolvimento, não queremos repetir esse modelo”, disse o presidente.

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Lula reafirmou as três prioridades que vão nortear a Presidência brasileira do G20, que começa em 1º de dezembro de 2023: o combate à fome, pobreza e desigualdade; a transição energética e o desenvolvimento sustentável em suas três dimensões (econômica, social e ambiental); e a reforma do sistema de governança internacional.

Este último ponto também foi destacado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. Em seu discurso, lembrou que durante grande parte da Guerra Fria, as relações internacionais foram em grande parte vistas através do prisma de duas superpotências.

“Depois veio um curto período de unipolaridade. Agora o mundo está avançando rapidamente para um mundo multipolar. Isto é, em muitos aspectos, positivo. (…) Um mundo multipolar necessita de instituições multilaterais fortes e eficazes. No entanto, a governação global está presa no tempo”, alertou.

Guterres apelou à reforma das instituições financeiras internacionais: “A arquitetura financeira internacional é disfuncional, ultrapassada e injusta. As reformas profundas necessárias não acontecerão da noite para o dia”, disse ele. “Mas podemos tomar medidas determinadas agora para ajudar os países a enfrentar crises como a da pandemia da Covid-19, que tiveram um impacto dramático.”

“Estamos cada vez mais perto de uma Grande Fratura nos sistemas econômicos e financeiros e nas relações comerciais; uma que ameaça uma Internet única e aberta; com estratégias divergentes em tecnologia e inteligência artificial; e quadros de segurança potencialmente conflitantes”, disse Guterres.

“É chegada a hora de renovar as instituições multilaterais baseadas nas realidades econômicas e políticas do século 21, enraizadas na equidade, na solidariedade e na universalidade e ancoradas nos princípios da Carta das Nações Unidas e no direito internacional.”

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