Na pauta

A proposta formalizada pelo ex-presidente argentino Raul Alfonsín de renegociação conjunta das dívidas externas de Brasil e Argentina mostra que cresce, inclusive no interior dos governos da região, a consciência de que a manutenção do modelo de dependência de capitais externos inviabiliza qualquer retomada consistente de desenvolvimento, além de, no limite, impedir que os países continuem arcando com o peso de suas dívidas. A imediata reação do ministro Pedro Malan contra a proposta somente reforça a amplitude do crescimento da posição expressa por Alfonsín.

Isonomia
A valer a decisão do governo FH de atender os reclamos das distribuidoras de energia, que somam R$ 6 bilhões, certamente, outros setores, como os governos estaduais pedirão, quem sabe até recorrendo ao Judiciário, isonomia para compensar perdas. Somente no Estado do Rio de Janeiro, a queda de arrecadação de ICMS do setor deve somar R$ 300 milhões este ano, segundo cálculos da Secretaria estadual de Fazenda. O mínimo que o governo Garotinho deveria exigir seria o abatimento desse total dos pagamentos à União que sangram os cofres do Rio.

Grego
O sítio comunique-se.com.br discorda da tese apresentada por esta coluna sobre a forma correta de se escrever antraz. Segundo o sítio especializado em comunicação, médicos informam que antraz é uma doença cutânea que nada tem a ver com o anthrax, esta sim o carbúnculo, provocada pelo bacillus antracis, e que estaria ameaçando os EUA. Para o jornal do Conselho Regional de Medicina a explicação pode até valer. Para os órgãos de imprensa em geral, o que vale é a grafia em português e o registro nos dicionários. Aurélio, Michaellis e outros registram antraz como a grafia correta para a doença também conhecida como carbúnculo. A palavra em grego, bem, fica para os gregos.

Internacional
A Fiscalização da Bolívia, órgão equivalente à Receita Federal, pediu à Justiça daquele país as prisão dos empresários brasileiros Wagner e Ulisses Canhedo, principais executivos da Vasp. O fisco boliviano acusa os dois de cometerem delitos na gestão do Lloyd Aéreo Boliviano (LAB). Segundo informações veiculadas pela agência EFE, a principal acusação contra os executivos brasileiros é a venda de ações do Estado do Sistema Internacional de
Telecomunicações Aeronáuticas (SITA), com sede na Bélgica e que estavam em nome da LAB. A receita local quer embargar as ações que a Vasp possui da companhia
boliviana, para assegurar o pagamento do suposto prejuízo econômico que teria sido causado pelos Canhedo.

Nota zero
Beira à irresponsabilidade a decisão do reitor José Vilhena de manter o vestibular da UFRJ para este domingo. Não bastasse a tensão provocada pela divisão interna na universidade, a decisão de mandar milhares de estudantes se dirigirem aos locais das provas sem saber o resultado da briga Judicial só é compreensível em quem nunca fez vestibular ou não tem compromissos pouco sólidos com a educação.

Nas urnas
Mesmo dispersa em sete partidos, a esquerda argentina somou 27,2% dos votos em Buenos Aires, que concentra cerca de dois terços do eleitorado nacional. Esse total supera o número de votos, cerca de 18%, obtidos pelo ex-presidente Raul Alfonsín, que se reelegeu senador. Apesar da boa performance, a esquerda elegeu apenas três deputados: dois pela Autodeterminação e Liberdade e um pela coligação Esquerda Unida (IU), formada pelo PC e MTS, mostrando que, mais uma vez, a oposição está aquém do desejo de mudança do eleitorado.

A perder de vista
Já beira o patético a desorientação da coligação anglo-americana, que há quase duas semanas, após pesados bombardeios ao Afeganistão, não apresenta uma prova sequer da efetividade da sua ação, tendo-se como dado que ataques a alvo civis, como hospitais e instalações da ONU, não fazem parte do objetivo oficial da cruzada. Ontem, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, garantiu, em entrevista à rede de tevê GMTV, que “Bin Laden finalmente será preso”: “Vamos acabar prendendo-o”, garantiu, para, em seguida, fazer ressalva essencial: “A questão é quando.” Certamente, por enquanto, Blair e quejandos ainda contam com o apoio do eleitorado. A questão, também, é saber até quando.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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