Na porta

O setor de vendas diretas no Brasil registrou um crescimento de 27,5% durante o ano passado comparado a 2003. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas, o segmento movimentou R$ 10,4 bilhões. Descontada a inflação, o crescimento real foi de 19%. O número de revendedores passou de 1,3 milhão para 1,5 milhão de profissionais. Em 2004, foram comercializados quase 1 bilhão de itens, ante 823 milhões no ano anterior. Segundo a federação mundial do setor, o Brasil está atrás apenas da França, Reino Unido, México, Coréia, Japão e Estados Unidos.

A meningite petista
A argumentação que atribui a ordem do presidente Lula a subordinado para “fechar a boca” sobre denúncias de corrupção no governo FH à preocupação com a auto-estima dos brasileiros cria estranho elo entre o moral nacional e a não-exposição de corruptos. Associada à linha de defesa de que o objetivo da ordem era preservar a imagem do país, obriga o país a um mergulho na sua história. Mais especificamente na censura baixada pela ditadura militar banindo qualquer notícia sobre o surto de meningite que se alastrava pelo país nos anos 70. O resultado final do véu de silêncio foi uma epidemia que tinha na divulgação ampla do seu risco seu melhor antídoto.
Embora com objetivos distintos, a argumentação mobilizada era o mesmo e vago interesse nacional, rebaixado, em ambos casos, à defesa de interesses de grupos. Quem considera as comparações díspares está convocado a dimensionar os efeitos das privatizações sobre o erário nacional, em suas diferentes formas de dano, sendo, às vezes, a corrupção o menos deletério. Agora, como na ditadura, é fundamental que o Brasil enfrente seus graves problemas sem subterfúgios, ainda que para chegar à conclusão de que privatização, assim como meningite, não são doenças letais.

Na contramão
O diretor de Planejamento do Ministério dos Transportes, Francisco Costa, reconheceu  que os estados recebem apenas 29% dos recursos que lhes cabem da Contribuição sobre Intervenção em Domínio Econômico (Cide). O resto fica retido para engordar o superávit primário (economia para pagar juros). “Mas 29% não é um quantia desprezível”, ressalvou.

Marcha pela paz
No dia 5 de março ocorrerá, em vários pontos do Brasil e do exterior, o II Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus no Terceiro Milênio, promovido pela Legião da Boa Vontade. Criado pelo diretor-presidente da instituição, José de Paiva Netto, o evento visa a estimular “o protagonismo infantil e despertar na criança a vivência dos valores espirituais, éticos, morais e universais”. “Todos marchando com a Paz” é a proposição deste segundo encontro. Mais informações em site:www.boavontade.com

Revoada
Mais uma baixa nas bases petistas. A Associação de Docentes da UFRJ (Adufrj) – principal universidade federal do país – aprovou a proposta de que a Associação Nacional de Docentes (Andes) se desfilie da CUT. O assunto está na pauta do 24º Congresso da Andes, que começou dia 25, em Curitiba, no Paraná.

Turismo
Amanhã, o professor Mauricio Werner faz palestra na Firjan de Niterói sobre Políticas Públicas de Turismo e parceria com a iniciativa privada.

Novo paradigma
Paradigma de uma época, a definição-síntese do bilionário norte-americano Paul Getty de que “o melhor negócio do mundo é ter uma empresa de petróleo; o segundo melhor, é ter uma empresa de petróleo mal administrada”, encontra-se superado no Brasil. Num país em que lucro de R$ 3 bilhões vira piso para as instituições financeiras, a sentença tem de ser reelaborada. Aqui, o melhor negócio do mundo é ter um banco; o segundo melhor é ter um banco mal administrado. Para estes casos, existe o Banco Central (BC) com o Proer, que, segundo a prestação de contas do BC relativa a 2004, acumula perdas de R$ 24,831 bilhões ao país, apenas com o dinheiro enterrado no Econômico, no Nacional e no Bamerindus.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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