Na rede

O presidente Fernando Henrique enforcou a segunda feira e passou ontem descansando, ao lado da primeira-dama Ruth Cardoso, na fazenda formalmente em nome de seus filhos, em Buritis (MG), distante 260 km de Brasília. A folga se estenderá até a tarde de hoje, quando ele retorna ao Palácio do Planalto para anunciar, às 17h, os novos planos de financiamento para a safra agrícola. Essa não é a primeira vez que o presidente cancela a agenda de trabalho em dias úteis. Nos últimos anos, essa prática tem ocorrido quando ele retorna de uma série de viagens – ele está encerrando agora uma série, pois em dez dias foi a São Paulo por duas vezes, ao Paraguai, à Bolívia e a Mato Grosso do Sul. A falta de agenda do presidente faz suas vítimas: convidado para a cerimônia comemorativa dos 50 anos da Fenaseg, federação que reúne as seguradoras, FH já motivou o adiamento da reunião por duas vezes. A última notícia é que não tem datas e não vai mesmo.

Lóidis
O Lloyds Bank poderá indenizar Expedita Ferreira Nunes, herdeira de Virgulino Ferreira e Maria Dea dos Santos – Lampião e Maria Bonita. O banco fez uso da imagem do casal e seu bando em anúncio publicitário produzido pela agência Talent e veiculado na revista Veja, edição de maio de 1987. A decisão é da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, que rejeitou recurso do banco inglês, mantendo acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, de utilização de imagem não autorizada. Relator do recurso, o ministro Barros Monteiro rejeitou o argumento do banco de que não pretendeu obter vantagem patrimonial com a propaganda. Segundo o ministro, foi inegável a pretensão da instituição financeira, que tem sede no exterior, em querer vincular sua imagem à história brasileira, querendo com isso captar novos clientes. O valor da indenização deverá ser apurado com base em cachê pago a figura de destaque nacional em propaganda semelhante. O banco pode tentar novo recurso.

Confusão
Se a empresa que administra a Ponte Rio-Niterói quiser cumprir sua promessa de oferecer aos usuários uma rodovia de Primeiro Mundo, poderia começar pintando as faixas de rolamento. A pintura atual, além de gasta, confunde o motorista que não costuma passar por ali. No trecho entre a praça do pedágio e a Ilha de Mocanguê as três faixas de rolamento foram apagadas com tinta preta e substituídas por nova pintura, em branco, com quatro faixas. À noite, o usuário vê uma mistura de linhas, sem ter certeza da posição em que deve manter o carro.

Cumpra-se
No Brasil, existem as leis que “pegam” (são cumpridas) e as que não “pegam”. Deve ter sido por isto que a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) criou a Comissão Especial para Pesquisa e Fiscalização de Toda a Legislação que não é Cumprida. Uma das primeiras atitudes do deputado José Richard (PTB), presidente da comissão de nome tão extenso, foi cobrar dos órgãos de comunicação o cumprimento da Lei Estadual 3.020, que obriga a citação do nome do autor de cada lei toda vez que for citada “na forma escrita ou falada”. A Lei 3.020, sancionada pelo então governador Marcello Alencar, em julho de 98, é rígida ao determinar que a “reprodução, escrita ou falada de texto legal (sic), deverá ser posfaciada com a citação do crédito à autoria do respectivo legislador”. Ou seja, prefaciar não vale. Em tempo: a Lei 3.020 é de autoria da deputada Aparecida Boaventura.

Amnésia
Alguém ainda lembra o nome da corregedora-geral da União? A tal que ia chefiar a equipe anticorrupção do presidente FH? Seria Maria, Claudete, Joana….

Milagre
A pré-candidatura do ex-ministro Delfim Netto (PPB) à Presidência da República será oficializada na próxima segunda-feira, durante a inauguração da nova sede o partido em São Paulo. A bancada federal do partido entregou na semana passada um manifesto ao presidente nacional do PPB, Paulo Maluf, indicando o nome do ex-ministro. Delfim comandou a economia brasileira durante o chamado “milagre econômico”, em que as taxas de crescimento do Brasil foram as mais altas do mundo. Em 1994, o atual governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB), disputou a Presidência e teve 2,75% dos votos. Em 1998, a legenda desistiu de lançar candidato e apoiou a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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