Na UTI do Obama

Após ouvir o batido discurso do economista Raul Velloso contrário aos gastos sociais do governo, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ironizou: “Se o Velloso for aos EUA e constatar que o déficit público já está em 13,7% do PIB, vai ter um enfarto.” Ambos participaram no Rio de mais uma edição do Fórum Nacional, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae).

O segundo confisco
A alegação do Governo Lula de que a tunga na poupança da classe média atenderia à preocupação em garantir liquidez para a rolagem da dívida pública contraria a lógica que regia esse sistema até cerca de duas décadas. Até o confisco da poupança perpetrado por Collor, violência acompanhada do fim da garantia pela correção monetária – privilégio mantido para os serviços públicos privatizados – a esmagadora maioria da classe média e dos pobres brasileiros com alguma capacidade de poupança destinavam à caderneta sua sobra de renda.
Foi a partir das mudanças nas regras do jogo que houve a migração de boa parte desses recursos para os fundos administrados pelos bancos. Foi a escandalosa política de juros astronômicos que permitiu a diluição das salgadas taxas de administração praticadas pelo monopólio que controla o mercado financeiro, garantindo ampla competitividade em relação à caderneta.
Durante cerca de duas décadas, a poupança tomou de goleada dos fundos DI e de renda fixa, quando não chegou a ter perda real, ao sofrer correção abaixo da inflação. Nesse longo período, nem uma só voz do mercado financeiro e da chamada grande mídia foi ouvida em defesa dos poupadores.
Agora, quando existe a possibilidade um rendimento mais simétrico com os fundos dos bancos, em vez de pressionar pela queda das taxas de administração, o Governo Lula quer criar um mercado compulsório para os produtos financeiros da banca, ao onerar o rendimento da poupança. Não deixa de ser um segundo confisco.

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Cachaça na Europa, vinho no Brasil. Este é um dos aperitivos que uma delegação de empresários produtores de vinho do Sul da França vai oferecer para conseguir reduzir a taxação sobre o produto francês, tornando-o mais competitivo frente a chilenos e argentinos. Hoje, o país europeu é o quinto exportador de vinhos para o Brasil. O custo médio do produto aqui é quase duas vezes superior ao da concorrência: cerca de US$ 60 a caixa de seis garrafas de vinho tinto. Mesmo assim, aumentou suas exportações para o Brasil em 183,04% em quatro anos. Os empresários franceses pretendem aumentar e exportação de vinhos da região de Languedoc. Durante dez dias, haverá no Rio, São Paulo e Belo Horizonte, o III Festival Sud de France.

Mordida menor
A redução do ISS para as empresas de Tecnologia da Informação (TI) instaladas na cidade do Rio estará na pauta desta sexta da audiência da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Vereadores. Já confirmaram presença os secretários Eduarda La Roque (Fazenda), Felipe Góes (Desenvolvimento Econômico) e Rubens Andrade (Ciência e Tecnologia), além do diretor do Iplan-Rio, Nabuco Barcelos, e os presidentes do Sindicato das Empresas de Informática e Tecnologia (Seprorj), Benito Paret, do RioSoft, John Forman, e da Assespro, Ilan Goldman. A audiência começa às 10h.

Na Bienal
Os dois mais recentes livros de Eunice Khoury, autora de treze obras, entre elas, cinco para crianças, serão lançados na XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, neste sábado, das 15h30 às 17h10. São Hipopótamo Omatópopih, infantil, e Tio Simon e outras crianças, com prefácio do recém-falecido acadêmico Antonio Olinto.

Bala nos vagabundos
A vereadora Clarrisa Garotinho, filha do ex-governador, não perdeu a oportunidade de criticar o governador Sérgio Cabral, após ser substituída na liderança do PMDB na Câmara carioca. “Me sinto livre para questionar atitudes do governador quando ele diz que mães de comunidades são fábricas de fazer bandidos, quando ele coloca a polícia para jogar balas de borrachas nos professores, quando ele chama os médicos de vagabundos.” Quem assume a liderança é o vereador Professor Uoston.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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