Na visão de Moro, não cabem desertores; ou hereges

Em entrevista, ministro deixa perguntas sem resposta e mostra visão muito particular do que é transparência.

A entrevista do ministro Sergio Moro à Folha abordou vários temas, e em todos eles o ex-juiz saiu pela tangente ou simplesmente não conseguiu responder as perguntas. Mas quando os jornalistas Leandro Collon e Camila Mattoso o apertaram sobre a Vaza Jato, a falta de argumentos imperou.

Inicialmente, tentou desqualificar o assunto, rebatendo: “A Folha não cansou dessa história?”, como se, por ter ficado há meses sem ser esclarecido, o tempo apagasse o escândalo. Na sequência, preferiu atribuir à Operação Lava Jato imunidade pelo grau de inimigos que enfrentou, algo que poderia ser resumido em algo como “os fins justificam os meios”.

Moro caiu em contradição ao explicar a ilegal gravação e divulgação da conversa entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma: “Externei na minha decisão que havia sido captada uma possível tentativa de obstrução de Justiça, que havia sido finalizada a interceptação, que estávamos dando publicidade àqueles fatos para inclusive coibir a tentativa de obstrução, para que o público soubesse. Não precisamos esconder segredos sombrios de homens públicos. A transparência é fundamental.”

Fundamental para os outros; aparentemente, não para ele. Pois, sobre a divulgação das conversas via Telegram entre o então juiz e os procuradores da Lava Jato, preferiu duvidar que “são lícitas e todas autênticas”. Bem, a gravação do diálogo entre Lula e Dilma não foi lícita, mas Moro não só divulgou, como segue defendendo a abertura de segredos.

Uma sentença revela a forma como o ministro enxerga sua atuação. Sobre a insistência da Folha em ouvi-lo sobre a Vaza Jato, Moro afirmou: “Tem aquela história do soldado que estava marchando, e o outro soldado que está marchando no passo errado. Talvez seja a Folha.”

Na visão do chefe da Lava Jato, não cabem desertores. Ou hereges.

 

Esfarrapado

As pessoas deveriam ter condições de confiar que as empresas de equipamentos e software 5G não vão ameaçar sua segurança, sua privacidade, seu endereço IP ou os direitos humanos. Para os países que desejam construir suas redes 5G, a avaliação de risco da Comissão da União Europeia listou essas ameaças. Agora é hora de manter esses países seguros.”

O tuíte acima é de Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos, este país que não controla as comunicações, não espiona nem seus cidadãos, nem os dos outros países, e são sede de empresas que prezam a privacidade como Facebook e Google.

 

Responsabilidade fiscal

Na semana passada, a Amazon foi apontada pelo grupo de campanhas de transparência tributária Fair Tax Mark como a pior das seis grandes empresas de tecnologia dos EUA na tarefa de evitar impostos ao transferir receitas e lucros através de paraísos fiscais. Segundo a denúncia, a Amazon pagou apenas US$ 3,4 bilhões em impostos sobre sua renda global até agora nesta década, apesar de ganhar receitas de US$ 960,5 bilhões e lucros de US$ 26,8 bilhões.

No início deste ano, um amigo da coluna comprou um produto de uma loja britânica na Amazon do Reino Unido, para entrega em Londres. O débito no cartão de crédito foi feito na Amazon Luxemburgo.

 

Vegetarianos

Algumas décadas atrás, Betinho lançava a campanha Natal sem Fome. Agora, em 2019, Bolsonaro e Guedes lançam a campanha Natal sem Carne.

 

Rápidas

Nesta sexta-feira, às 16h, a OABRJ sediará um ato público em defesa da cultura. Será elaborado um manifesto a ser entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia *** Paulo Henrique Faria Nunes, doutor em Ciências Políticas e Sociais e pesquisador na PUC de Goiás, recebeu o Prêmio Manuel Guerreiro, concedido pela Universidade do Algarve (Portugal) pelo livro A institucionalização da Pan-Amazônia *** A banda Mr. Vintage levará rock para o Caxias Shopping nesta sexta-feira, às 19h30 *** A caravana de Natal da Coca-Cola passará pelas lojas da Barra (dia 22) e de Irajá (23) do Supermercados Mundial *** A YES! Idiomas fechou parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro para oferecer a agentes da Lei Seca, do Segurança Presente, da Barreira Fiscal e da Marcha pela Cidadania e Ordem cursos de inglês pela metade do preço e isenção na matrícula.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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